Professores pressionam e dividem vereadores na Câmara sobre a reforma da Previdência

Professores da rede municipal pressionam vereadores contra reforma da Previdência em Manaus
Redação O Poder
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Professores da rede municipal e sindicatos voltaram a protestar nesta quarta-feira (24), em frente à Câmara Municipal de Manaus, contra o projeto de reforma da Previdência enviado pela Prefeitura. A proposta, protocolada em 27 de agosto, altera regras de aposentadoria dos servidores públicos.

A Prefeitura defende que a reforma é necessária para equilibrar as contas do Manausprev, alegando que, sem mudanças, o sistema pode acumular déficit de quase R$ 1 bilhão até 2038.

O projeto não entrou na pauta de votação desta quarta, mas os servidores temem que seja apreciado a qualquer momento. Para pressionar, sindicatos organizaram paralisação em cerca de 140 escolas e marcaram assembleia às 19h para discutir a deflagração de greve geral.

Na Câmara, o diretor jurídico da Asprom/Sindical, Lambert Melo, afirmou que a retirada do projeto da pauta foi uma vitória parcial, mas avisou. “Se o prefeito insistir em votar, será deflagrada a maior greve já vista na Semed de Manaus”, disse.

O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) reforçou que quem apoiar a proposta será exposto. “Vereador que votar contra os servidores vai ter o rosto estampado em outdoors espalhados pela cidade”, declarou.

Já o líder do prefeito, vereador Eduardo Alfaia (Avante), rejeitou a ideia de arquivar o texto. “Não podemos agir com irresponsabilidade. O futuro da previdência depende de uma discussão técnica e ampla”. Ele criticou a pressão sindical e classificou a ameaça de greve como “intransigente”.

O presidente da CCJ, vereador Gilmar Nascimento (Avante), lembrou que o parecer da Procuradoria é apenas opinativo e garantiu análise técnica. “Há muita narrativa distorcida. Precisamos de serenidade para encontrar uma solução que contemple o município e os servidores”.

Por outro lado, o vereador Capitão Carpê (PL-AM) se posicionou contra a proposta. “Esse projeto é mal visto, e se for colocado em votação, eu votarei contra. Ele prejudica os trabalhadores, sobretudo as mulheres, que terão de trabalhar até sete anos a mais”.

Enquanto isso, professores exibiram cartazes e faixas pedindo a retirada imediata da matéria. Em protesto as lideranças acusaram a Prefeitura de empurrar a reforma em ano eleitoral e denunciaram que ela amplia o tempo de contribuição, principalmente das mulheres da educação.

A decisão sobre o indicativo de greve deve sair ainda hoje à noite, em assembleia extraordinária.

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