“Quem ganha até R$ 5 mil não é classe média”, diz Lula ao defender novo crédito habitacional

Presidente defende novo crédito habitacional e critica definição de classe média no Brasil.
Redação O Poder
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (10/10), em São Paulo, que brasileiros com renda mensal de até R$ 5 mil não podem ser considerados classe média. A afirmação foi feita durante o lançamento de um novo modelo de crédito habitacional, voltado à ampliação do acesso à moradia popular.

“Quem ganha até R$ 5.000 não pode ser chamado de classe média. Se o cara pagar aluguel e tiver um filho na escola, mal sobra para ele comer”, afirmou Lula. O presidente defendeu que o país precisa “criar uma espécie de sociedade de classe média”, com mais oportunidades e políticas que reduzam desigualdades.

A fala de Lula acontece em meio às discussões sobre a reforma do Imposto de Renda (IR), aprovada pela Câmara dos Deputados em 1º de outubro. O texto isenta quem ganha até R$ 5.000 e define alíquota mínima para rendimentos acima de R$ 50.000 mensais. A proposta ainda será votada pelo Senado e, se aprovada, entrará em vigor em 2026.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro era de R$ 2.851 em 2022. A classificação oficial define como classe média baixa (classe C) as famílias com renda entre R$ 3.500 e R$ 8.300, enquanto a classe média alta (classe B) abrange rendas de R$ 8.300 a R$ 26.000 mensais.

Durante o evento, o presidente também criticou o Congresso Nacional, afirmando que deputados têm votado contra projetos que beneficiam fintechs e aumentam a arrecadação.
“Quando mando um projeto para que as fintechs ganhem mais, eles votam contra porque esse dinheiro poderia ser para a gente fazer um pouco mais de política de inclusão social”, declarou.

Na quinta-feira (9), Lula já havia comentado sobre a derrubada da Medida Provisória (MP) do IOF, que equiparava a tributação das fintechs à dos bancos tradicionais. A proposta previa arrecadar cerca de R$ 30 bilhões para os cofres públicos, mas foi rejeitada pela Câmara.

“A gente manda um projeto de lei acordado no Congresso Nacional para as pessoas que ganham acima de R$ 600 mil, acima de R$ 1 milhão, pagar uma merrequinha, e votam contra. Esse dinheiro poderia ser usado para aumentar a inclusão social. É desse país que a gente está falando”, completou Lula.

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