O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi vaiado por professores durante um evento em comemoração ao Dia do Professor, realizado nesta quarta-feira (15/10), no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O episódio ocorreu diante de uma plateia formada por docentes da rede municipal e de universidades públicas. As vaias começaram assim que o parlamentar iniciou seu discurso, acompanhadas por gritos de “sem anistia”, em referência à insatisfação de parte dos professores com decisões recentes da Câmara dos Deputados.
Diante da reação do público, Lula se levantou e ficou ao lado de Motta, em uma tentativa de conter os ânimos e demonstrar apoio institucional. O presidente da Câmara não havia sido anunciado pelo cerimonial do evento.
O ministro da Educação, Camilo Santana, cedeu-lhe a palavra após um pedido direto de Lula. Antes disso, Santana mencionou votações recentes no Congresso e, em seguida, oficializou a fala do deputado para que pudesse se pronunciar.
Durante o discurso, Hugo Motta elogiou o presidente Lula, apesar do clima tenso entre o governo e a Câmara após a derrubada de uma medida provisória que aumentava impostos.
“Neste Dia Nacional do Professor, é uma honra estar aqui ao lado do senhor, sem dúvida alguma, o presidente que mais fez pela educação do Brasil”, declarou Motta.
Ao final da fala, as vaias diminuíram e restaram apenas gritos isolados. O parlamentar foi cumprimentado por ministros e deputados da base governista, como Lindbergh Farias (PT-RJ).
Na sequência, Lula criticou o Congresso Nacional, afirmando que o Parlamento “nunca teve uma qualidade de baixo nível como tem agora”. Segundo o petista, parte dos parlamentares representa “o que há de pior da extrema-direita eleita na última eleição”.
O episódio expôs novamente as tensões entre o Poder Executivo e o Legislativo, em um momento em que o governo busca recompor sua base de apoio na Câmara para aprovar pautas de interesse do Planalto.