Com pouco mais de 3,4 mil habitantes, o pequeno município de Castanheiras, localizado na região central de Rondônia, se destaca não apenas pelo tamanho, mas também pela disparidade entre os salários da população e os gastos do poder público. Segundo dados do IBGE 2024, a cidade é a terceira menor do estado, com uma economia sustentada por cerca de 240 trabalhadores formais que recebem, em média, R$ 2.203 por mês. No entanto, na Câmara de Vereadores, a realidade financeira é bem diferente.
Os nove parlamentares eleitos em 2024 recebem entre R$ 5.050 e R$ 5.750 mensais. O presidente da Casa, André de Oliveira, tem o maior rendimento: R$ 5.250 de subsídio e R$ 500 de auxílio-alimentação. A diferença salarial entre os vereadores e os trabalhadores locais chama atenção, já que os parlamentares ganham mais que o dobro da média dos moradores.
Além dos vencimentos, os vereadores acumulam altos valores em diárias de viagens. Somente nos primeiros meses de 2025, o total gasto com diárias chegou a R$ 139.542,73. O vice-presidente da Câmara, Ronaldo Frigo dos Anjos (PP), lidera o ranking com R$ 22.994,02, seguido por Gilson Dias (R$ 21.504,77) e Paulo César (R$ 19.241,11). O montante total, somando vereadores e servidores, alcança R$ 167.510,86.
O Executivo municipal também apresenta despesas expressivas. O prefeito Cícero Aparecido Godoi recebeu R$ 57.059,74 em diárias, valor equivalente a quase 26 vezes o salário médio de um trabalhador de Castanheiras.
A equipe de reportagem tentou obter informações sobre os gastos com passagens aéreas e terrestres, mas o Portal da Transparência da Prefeitura não disponibiliza esses dados, dificultando a fiscalização e o controle social. A falta de clareza nas informações públicas levanta questionamentos sobre a aplicação dos recursos em um município de dimensões tão pequenas.