O governador Wilson Lima (UB) determinou, na noite desta segunda-feira (17), a abertura de uma investigação para identificar quem autorizou o uso da identidade visual do Governo do Amazonas em um evento que utilizou linguagem neutra. Segundo o governador, esse tipo de grafia contraria o padrão oficial adotado pela administração estadual.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Wilson ressaltou que toda comunicação institucional deve obedecer às regras formais da Língua Portuguesa. Ele afirmou que qualquer material que fuja dessas orientações será verificado e corrigido, a fim de manter a padronização da comunicação oficial.
A determinação inclui a apuração dos responsáveis e a correção imediata de qualquer uso inadequado da marca governamental. De acordo com o governador, a medida busca evitar que iniciativas individuais sejam interpretadas como posicionamento oficial do Estado e garantir uniformidade na atuação dos órgãos públicos.
Antes mesmo da manifestação do governador Wilson Lima, a deputada estadual Débora Menezes (PL) já havia repercutido o caso nas redes sociais. Ela publicou a foto do evento em que aparece a expressão “Sejam bem-vindes”, destacando que o uso de linguagem neutra segue sendo alvo de debate no estado. A parlamentar lembrou que, em 2023, a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou a Lei 6.463/23, que vedava o emprego desse tipo de grafia em documentos oficiais, mas a norma acabou sendo invalidada posteriormente por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Debate nacional sobre linguagem neutra
A discussão voltou a ganhar força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar a lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples. A legislação, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (17), estabelece diretrizes para que órgãos públicos usem textos mais claros, diretos e de fácil compreensão.
Embora o objetivo principal seja tornar a comunicação mais acessível, a nova política reforça a proibição do uso da linguagem neutra em documentos dos Três Poderes da República. A norma também permite que estados e municípios definam suas próprias regras complementares para aplicação da linguagem simples.
Com isso, União, governos estaduais e prefeituras passam a ser responsáveis por produzir conteúdos oficiais mais objetivos, com frases curtas e vocabulário acessível, reduzindo ambiguidades e evitando interpretações que possam distanciar o cidadão da informação pública.
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