A Fundação AmazonPrev, responsável pela gestão das aposentadorias dos servidores públicos do Amazonas, pode enfrentar um prejuízo milionário após ter direcionado parte de seu patrimônio para aplicações no Banco Master, instituição que agora está no centro de uma investigação federal por supostos crimes financeiros avaliados em R$ 12 bilhões.
O caso ganhou dimensão nesta terça-feira (18), quando a Polícia Federal prendeu o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a Operação Compliance Zero. A ofensiva mira um esquema envolvendo a emissão e negociação de títulos de crédito que, segundo os investigadores, seriam fraudulentos e utilizados por grandes players do mercado financeiro.
De acordo com o Sintjam (Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas), a AmazonPrev destinou aproximadamente R$ 300 milhões a aplicações em Letras Financeiras dos bancos C6 e Master, sendo que R$ 250 milhões foram parar justamente no Banco Master, entre junho e setembro de 2024.
O sindicato sustenta que os aportes teriam sido realizados sem o aval do conselho da Fundação, sem estudos detalhados de risco e por meio de instituições que não possuíam credenciamento adequado, o que configuraria falhas graves de governança e de conformidade.
As denúncias já foram enviadas ao Ministério Público do Estado (MPAM) e ao Ministério Público Federal (MPF), que agora analisam indícios de irregularidades na aplicação de recursos que deveriam estar protegidos para garantir o pagamento de benefícios previdenciários no futuro.
A reportagem procurou o diretor-presidente da AmazonPrev, Ary Renato Vasconcelos de Souza, para obter esclarecimentos sobre os investimentos e sobre o risco potencial de perda de mais de R$ 250 milhões. Até o momento, não houve retorno da Fundação.
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