Defesa de Bolsonaro pede ele para cumprir pena em prisão domiciliar

Defesa de Bolsonaro alega que estado de saúde do ex-presidente impede sua permanência em ambiente prisional e pede prisão domiciliar humanitária.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 70 anos, encaminhou nesta sexta-feira (21.nov.2025) um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que sua pena de 27 anos e 3 meses seja cumprida em prisão domiciliar humanitária. Os advogados alegam que o estado de saúde do ex-chefe do Executivo impede sua permanência em ambiente prisional. A petição foi protocolada com anexos médicos e um relatório sobre condições carcerárias.

Segundo os representantes de Bolsonaro, ele enfrenta um quadro clínico “seriamente comprometido”, agravado pelas três internações hospitalares ocorridas desde que foi colocado em prisão domiciliar. A defesa também cita informações da Defensoria Pública do Distrito Federal, que descreve condições inadequadas na Penitenciária da Papuda, especialmente no setor reservado a detentos idosos.

Os advogados anexaram dez laudos médicos, além de um relatório detalhado das doenças diagnosticadas. Entre as comorbidades listadas estão:

  • refluxo gastroesofágico com risco de aspiração pulmonar;

  • pneumonias bacterianas recorrentes;

  • episódios persistentes de soluços;

  • hipertensão arterial;

  • doença arterial coronariana;

  • obstrução e estreitamento das artérias carótidas;

  • apneia do sono em grau severo;

  • câncer de pele e outras neoplasias;

  • sequelas da facada de 2018, como hérnias residuais, perda parcial do intestino grosso, alterações estéticas e funcionais e impactos psicológicos.

Na petição, a defesa afirma que Bolsonaro depende de acompanhamento constante, uso diário de medicamentos — alguns com ação no sistema nervoso central — e possibilidade de atendimento emergencial a qualquer momento. Para os advogados, tais necessidades seriam incompatíveis com o regime fechado.

“Há risco real e imediato para a integridade física e a própria vida do condenado”, sustenta o documento, que pede a concessão da prisão domiciliar humanitária como medida excepcional.

A defesa também faz referência ao caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que recebeu autorização semelhante de Moraes em razão de enfermidades como Doença de Parkinson e apneia grave. Para os advogados, o precedente reforça a necessidade de equilibrar o direito à saúde com a execução penal.

Bolsonaro completou 100 dias de prisão domiciliar em 12 de novembro. Ele permanece monitorado por tornozeleira eletrônica e está proibido de usar redes sociais ou receber visitas sem aval da Justiça.

Apesar da condenação pelo STF por liderar a suposta articulação golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a pena ainda não começou a ser executada porque o processo não transitou em julgado. Os embargos de declaração apresentados anteriormente foram rejeitados pela 1ª Turma, hoje composta por quatro ministros após a transferência de Luiz Fux para a 2ª Turma.

A defesa ainda pode apresentar novos recursos até segunda-feira (24.nov). Ao se manifestar no processo, os advogados já adiantaram que pretendem ingressar com embargos de declaração e, possivelmente, embargos infringentes — recurso permitido apenas quando há pelo menos dois votos divergentes. No julgamento de Bolsonaro, apenas o ministro Luiz Fux discordou da decisão majoritária, o que, pela jurisprudência, inviabiliza a apresentação desse tipo de recurso. Ainda assim, a defesa argumenta que o entendimento pode ser revisto considerando dispositivos do Pacto de San José da Costa Rica.

Com informações do: Poder 360

Leia mais: A pedido de Bolsonaro, Capitão Alberto Neto confirma pré-candidatura ao Senado

Carregar Comentários