Vereadora Professora Jacqueline diz que reforma da Previdência impõe maior carga às mulheres

Vereadora critica reforma aprovada em Manaus e afirma que ela impõe maior carga de contribuição às mulheres.
Redação O Poder
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A vereadora Professora Jacqueline (União Brasil) classificou como um “grande retrocesso” a reforma da Previdência aprovada pela Câmara Municipal de Manaus (CMM) na última segunda-feira (17). A parlamentar comentou o tema durante entrevista ao programa Agente Político, do Diário da Capital, quando ainda exercia mandato na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Segundo Jacqueline, as alterações aprovadas pela Casa atingem diretamente profissionais que dedicaram décadas ao serviço público, em especial as mulheres da educação. Ela explica que o texto aprovado amplia o tempo de contribuição das professoras em sete anos, mudança que considera injusta e desproporcional. “Somos nós, mulheres, que acumulamos jornadas. Trabalhamos, cuidamos dos filhos, dos alunos, da casa. E ainda somos obrigadas a contribuir por mais tempo. É uma punição injustificável”, afirmou.

Críticas ao discurso de “rombo” previdenciário

A vereadora também refutou a justificativa apresentada pela prefeitura e pelo relator do projeto de que o sistema previdenciário municipal estaria à beira da insolvência. Para ela, esse argumento é utilizado há anos para embasar medidas que retiram direitos dos servidores. “Se os recursos forem administrados com responsabilidade, não há necessidade de elevar contribuição nem de impor novos pedágios. Esse discurso alarmista não convence mais”, declarou.

Atuação política e orientação de voto

Jacqueline relatou ainda que dialogou com o vereador Amauri Gomes (União Brasil), que ocupou sua vaga na CMM, para que votasse contra o texto. Amauri acabou integrando o grupo de dez vereadores que rejeitaram a proposta. “Eu disse claramente: ‘você precisa votar com a categoria’. E ele manteve essa posição”, reforçou.

Consequências imediatas para docentes

Mesmo não sendo afetada pessoalmente pela mudança, Jacqueline disse estar indignada com os impactos sobre professores próximos da aposentadoria. Ela citou casos de profissionais que, prestes a completar o tempo necessário, agora terão de cumprir dois anos adicionais devido ao novo pedágio.

“É um desrespeito com quem passou 25 anos em sala de aula, enfrentando violência, falta de estrutura e desafios pedagógicos diários. Muitos estavam contando os dias para descansar, e agora se veem obrigados a continuar trabalhando.”

A vereadora também alerta que a reforma pode agravar a falta de docentes em áreas já carentes, como matemática, biologia e língua portuguesa. Segundo ela, muitas escolas não conseguem completar a carga horária anual por falta de profissionais.

Risco de desmotivação na carreira pública

Para Jacqueline, o conjunto de mudanças piora ainda mais o cenário de desvalorização na educação pública. Com salários defasados, jornadas exaustivas e agora uma aposentadoria mais distante, a tendência, segundo ela, é que menos pessoas optem pela docência. “Com essa reforma, ser professor vai virar a última escolha. Só vai para a sala de aula quem não conseguir se inserir em outra profissão. Isso é gravíssimo para o futuro da educação.”

“Servidor público é essencial, não é despesa”

Ao encerrar, a vereadora criticou o que chamou de visão distorcida sobre o serviço público. Ela recordou que são servidores que mantêm os serviços essenciais funcionando. “O bombeiro, a enfermeira, o médico, o professor… todos são servidores. E são eles que a população procura quando precisa de cuidado, segurança ou ensino. Tratar servidor como gasto é um equívoco enorme.”

Para Jacqueline, construir equilíbrio fiscal às custas da categoria docente é injusto e contraproducente. “O professor está sendo penalizado por todos os lados”, concluiu.

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