Esposa de Alexandre Ramagem relata saída da família para os EUA e acusa perseguição política

Esposa de deputado federal acusa perseguição política após família deixar o Brasil em meio a condenação por tentativa de golpe de Estado.
Redação O Poder
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Rebeca Ramagem, esposa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), publicou neste domingo (23) um relato nas redes sociais sobre a mudança da família para Miami, nos Estados Unidos. A postagem ocorre dias após vir à tona que o parlamentar deixou o Brasil enquanto cumpria medidas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ramagem foi condenado pela 1ª Turma do STF a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado. De acordo com as investigações, ele deixou o país em setembro, justamente no período em que o núcleo central da trama golpista estava sendo julgado.

No texto divulgado hoje, Rebeca afirma que chegou aos Estados Unidos com a filha “há uma semana”, com o objetivo de proteger a família. Ela também publicou um vídeo mostrando o reencontro das filhas com o pai no aeroporto, indicando que cada membro da família viajou em momentos distintos.

“Infelizmente, não encontramos no Brasil a garantia de uma Justiça imparcial. Estamos sendo vítimas de lawfare e enfrentamos uma perseguição política cruel”, escreveu. O termo lawfare é utilizado para se referir ao uso do sistema judicial como instrumento de ataque a adversários políticos.

A TV Globo apurou que a Polícia Federal investiga a rota usada para a fuga, incluindo a possibilidade de saída por Roraima rumo à Venezuela ou à Guiana, utilizando um carro alugado em Boa Vista.

Condenação e ordem de prisão

O STF condenou Ramagem a 16 anos, 1 mês e 15 dias pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe. A Corte concluiu que ele utilizou a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) — que dirigiu no governo Bolsonaro — para monitorar opositores e colaborar com ações que visavam desacreditar o sistema eleitoral.

A decisão determinava que o deputado permanecesse no país e entregasse o passaporte, medidas que foram descumpridas ao deixar o território nacional.

O processo encontra-se na fase de recursos, e o primeiro pedido apresentado pela defesa já foi rejeitado. Quando essa etapa for concluída, a pena poderá ser executada.

Na última quarta-feira (19), o PSOL solicitou ao STF e à Polícia Federal a prisão do parlamentar. Entretanto, apurações da TV Globo indicam que a prisão preventiva já havia sido decretada de forma sigilosa pelo ministro Alexandre de Moraes após solicitação da PF.

*Com informações de G1

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