Deputado Glauber Braga é retirado da Mesa Diretora em meio a debate sobre cassação

Deputado é retirado à força da Mesa Diretora da Câmara após protesto contra possível cassação de mandato.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força pela Polícia Legislativa da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados na tarde desta terça-feira (9). O parlamentar ocupou a cadeira da presidência em forma de protesto, depois que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que colocaria em análise um pedido de cassação de seu mandato. A representação trata da acusação de que Braga teria agredido um manifestante dentro do Parlamento.

A retirada ocorreu após agentes de segurança serem acionados para desocupar a Mesa. Visivelmente cansado, o deputado deixou o plenário amparado por colegas e foi conduzido até o Salão Verde. Mais cedo, Braga havia afirmado que permaneceria no local como ato de resistência.

“Se o presidente da Câmara quiser adotar um tratamento diferente daquele que foi dado aos golpistas que ocuparam esta Mesa e nunca foram punidos, essa responsabilidade é dele. Eu ficarei aqui até onde conseguir”, disse.

Hugo Motta declarou que colocará em votação, a partir desta quarta-feira (10), os processos envolvendo Carla Zambelli (PL-SP), Delegado Ramagem (PL-RJ) — ambos condenados pelo STF — e o próprio Glauber Braga. O anúncio ocorreu após reunião de líderes, no mesmo dia em que Motta também se comprometeu a pautar o projeto que reduz penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ocupação da Mesa interrompeu a fase inicial da sessão que poderia avançar para a análise da proposta. Com o tumulto, o plenário foi esvaziado e a transmissão da TV Câmara temporariamente suspensa. Braga criticou a decisão, afirmando solidariedade aos profissionais de imprensa que, segundo ele, também foram impedidos de acompanhar os acontecimentos.

Entenda o processo

Glauber Braga responde no Conselho de Ética por um episódio ocorrido em abril de 2024, quando discutiu com o influenciador Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), dentro da Câmara. Vídeos registraram o momento em que o deputado empurra e retira o manifestante do prédio. A representação que originou o processo disciplinar foi apresentada pelo partido Novo. O relator, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), afirmou que as agressões ficaram comprovadas e que Costenaro não reagiu.

Braga, por outro lado, alega que o integrante do MBL fazia provocações constantes e que a discussão escalou após ofensas contra sua mãe.

Nas redes sociais, Hugo Motta criticou o comportamento do psolista e disse que episódios como esse se somam a outras ações de tumulto, citando a vez em que Braga realizou greve de fome no plenário. “Quando o deputado ocupa a cadeira da Presidência para travar os trabalhos, não desrespeita o presidente em exercício, mas a própria Câmara e o Poder Legislativo”, declarou.

Carregar Comentários