Um intenso bate-boca marcou a sessão desta quinta-feira (11) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O clima esquentou após declarações do deputado Daniel Almeida (Avante) durante a discussão do projeto conhecido como “Lei Paulo Onça”, que cria a campanha permanente “Na Direção, o Respeito”, destinada a ações educativas sobre segurança no trânsito.
Logo ao iniciar sua fala, Daniel lembrou que conhecia Paulo Onça desde o Morro da Liberdade e afirmou que o sambista também havia cometido crime ao dirigir sob efeito de substâncias. “Eu sou do Morro e conhecia o Paulo. […] Ele cometeu um crime ao dirigir embriagado”, disse o deputado.
Em seguida, ele avaliou que o homem envolvido na agressão contra Paulo Onça teria reagido em defesa própria.“Ele estava defendendo a família dele. Infelizmente, isso culminou na morte de uma pessoa, o que é lamentável”, afirmou.
Daniel também mencionou sua própria história ao falar sobre o tema, revelando que já enfrentou a dependência química. “Eu falo como alguém que já passou por isso. Se um dependente químico usa drogas e dirige, ele está cometendo crime”, declarou.
Reação de Alessandra Campelo
As falas do parlamentar geraram forte reação da deputada Alessandra Campelo (Podemos), que o aconselhou a retirar sua assinatura do projeto, do qual é coautor. “Deputado, cada vez que o senhor tenta explicar, piora. Talvez o senhor não esteja conseguindo se expressar. Acho que deveria retirar sua assinatura da proposta”, afirmou.
Alessandra ressaltou que a dependência química é reconhecida pela OMS como uma doença crônica e criticou a interpretação apresentada por Daniel. “A dependência química é incurável, mas controlável. Eu conheço esse tema de perto. E não acho que alguém, por dirigir sob influência, deva ser morto por isso”, disse a deputada.
Ela também explicou o objetivo da lei: homenagear a trajetória cultural de Paulo Onça, ao mesmo tempo em que reforça a conscientização sobre riscos no trânsito. “A proposta não incentiva embriaguez ao volante. O nome da lei faz referência ao Paulo, que teve relevância cultural e foi vítima de um episódio trágico. O foco é educar e evitar novas tragédias”, completou.
No encerramento, Alessandra cobrou coerência do colega. “Se o senhor considera que a lei está equivocada, retire sua assinatura e vote contra.”