Dados extraídos do sistema oficial da Câmara Municipal de Manaus (CMM) mostram que a presença dos vereadores ao longo de 2025 não foi homogênea. Embora parte do plenário tenha mantido assiduidade quase integral, o levantamento revela variações relevantes na participação tanto nas sessões quanto nos momentos de votação.
No primeiro ano da 19ª Legislatura (2025–2028), a Casa realizou 112 sessões plenárias ordinárias e 71 Ordens do Dia, etapa em que são deliberados projetos, requerimentos e demais matérias legislativas. De acordo com o relatório, não houve registro de faltas justificadas, o que significa que todas as ausências computadas ocorreram sem apresentação formal de justificativa.
Assiduidade máxima e presença elevada
Entre os vereadores com desempenho de destaque estão Eduardo Alfaia (Avante), Paulo Tyrone (PMB) e Rodrigo Guedes (Progressistas), que compareceram a todas as sessões e votações realizadas ao longo do ano, alcançando 100% de presença.
Outros parlamentares também apresentaram índices elevados, superiores a 99%, caso de Ivo Neto (PMB), Professor Samuel (PSD), Sérgio Baré (PRD), João Paulo Janjão (Agir) e Zé Ricardo (PT), demonstrando participação contínua nas atividades legislativas.
Maior presença nas votações
O levantamento indica ainda que, de modo geral, os vereadores tendem a marcar presença com mais regularidade nas Ordens do Dia do que nas sessões plenárias completas. Parlamentares como Kennedy Marques Protetor (MDB), Saimon Bessa (União Brasil), Capitão Carpê (PL) e Roberto Sabino (Republicanos) superaram 97% de comparecimento nas votações, mesmo apresentando percentuais menores de presença durante os debates.
Por outro lado, o relatório também aponta casos de frequência abaixo da média. Yomara Lins (Podemos) e Dione Carvalho (Agir) registraram índices inferiores a 75% de presença nas sessões plenárias ao longo de 2025.
O menor percentual do levantamento aparece com Amauri Gomes (União Brasil), que contabilizou 16,07% de presença nas sessões e 18,31% nas Ordens do Dia. No entanto, os números refletem o fato de o parlamentar ter assumido o cargo apenas em 21 de outubro, na condição de suplente, o que impactou diretamente sua participação anual.
Outro caso que chama atenção é o do vereador Rosinaldo Bual (Agir). Ele compareceu a 65,18% das sessões e a 69,01% das Ordens do Dia. A redução na frequência ocorreu após sua prisão, no início de outubro, durante a Operação Face Oculta, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas.
A investigação apura suspeitas de prática de “rachadinha” no gabinete do parlamentar, mecanismo ilegal que envolve a devolução de parte dos salários de assessores. Apesar da prisão e de decisão judicial determinando seu afastamento das funções, a Câmara Municipal optou por manter o mandato do vereador, que seguiu recebendo subsídio mensal superior a R$ 26 mil, pago com recursos públicos.


