As duas maiores bancadas do Parlamento Europeu, o Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, e a Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), de centro-esquerda, anunciaram a suspensão da tramitação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. A decisão é uma reação direta às ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à Groenlândia.
Líderes das bancadas afirmaram que não há ambiente político para avançar com a ratificação do acordo enquanto Washington utiliza tarifas como instrumento de pressão para forçar países europeus a aceitarem a anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
O acordo comercial, assinado em julho do ano passado por Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tinha como objetivo encerrar a disputa tarifária entre UE e EUA. O texto previa a aplicação de tarifas de 15% sobre produtos europeus importados pelos Estados Unidos, em troca da isenção de taxas para exportações americanas ao bloco europeu. Apesar do acerto político, o tratado ainda dependia do aval do Parlamento Europeu.
Em nota, o presidente do PPE, Manfred Weber, afirmou que o grupo apoia o fortalecimento das relações comerciais transatlânticas, mas deixou claro que as recentes ameaças de Trump inviabilizam a aprovação do acordo neste momento. Segundo ele, a suspensão das tarifas zeradas para produtos americanos passou a ser inevitável diante do cenário de pressão.
A posição foi reforçada pela liderança do S&D. A eurodeputada espanhola Iratxe García Pérez declarou que o uso de tarifas contra aliados europeus é inaceitável e classificou a postura dos Estados Unidos como uma tentativa de intimidação política. Para ela, a União Europeia deve reagir com firmeza, suspendendo negociações e acionando instrumentos de defesa comercial do bloco.
No fim de semana, Trump anunciou a imposição de tarifas contra oito países europeus, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, que se manifestaram contra a anexação da Groenlândia. A partir de 1º de fevereiro, as exportações desses países aos EUA serão taxadas em 10%, percentual que poderá subir para 25% em junho, caso não haja acordo sobre a transferência do território para o controle americano.
A medida provocou forte reação entre os governos europeus, que passaram a discutir a adoção de retaliações, incluindo restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu e controles adicionais de exportação, mecanismo conhecido nos bastidores como “bazuca comercial”.
A escalada de tensão se intensificou ainda mais nesta terça-feira (20), quando Trump ameaçou impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses, após o governo de Emmanuel Macron recusar participação no Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.