A Câmara Municipal do Recife deve iniciar, na próxima terça-feira (3), a análise do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A denúncia será lida em plenário pelo presidente da Casa, Romerinho Jatobá (PSB), durante a primeira sessão legislativa de 2026.
Após a leitura, os vereadores deverão votar, de forma nominal, a admissibilidade do pedido. Para que a investigação seja aberta, é necessária a aprovação da maioria simples dos 37 parlamentares que compõem o Legislativo recifense.
O pedido foi protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo) e tem como base uma denúncia de suposta fraude em concurso público para o cargo de procurador do município. Segundo a acusação, a gestão municipal teria nomeado um candidato para uma vaga reservada a pessoas com deficiência (PCD), embora o laudo médico que comprovaria a condição tenha sido apresentado apenas três anos após a realização da prova.
O caso envolve o candidato Lucas Vieira Silva, filho de um juiz e de uma procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco. Ele participou do certame, realizado em dezembro de 2022, como candidato da ampla concorrência, mas solicitou posteriormente a mudança de modalidade, após ter ficado na 63ª colocação. Em maio de 2025, Lucas apresentou um laudo médico atestando Transtorno do Espectro Autista (TEA), documento que foi posteriormente confirmado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
A homologação do concurso, publicada em dezembro de 2025, colocou Lucas Vieira Silva na primeira colocação entre os candidatos PCD. Após a repercussão do caso, vereadores levaram a denúncia ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), e a Prefeitura do Recife decidiu anular a nomeação.
Com o cancelamento, a vaga passou a ser destinada a Marko Venicio dos Santos, único candidato PCD classificado na primeira homologação do concurso.
Ao site Metrópoles, o líder do PSB na Câmara Municipal, vereador Rinaldo Junior, classificou o pedido de impeachment como um “processo midiático” e afirmou que a bancada governista atua pela rejeição da denúncia. A assessoria do prefeito João Campos foi procurada e informou que o espaço segue aberto para manifestação.
Com informações do Metrópoles.