O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou, nesta quinta-feira (12), nota pública na qual reconhece que integra o quadro societário da empresa Maridt, mas nega qualquer vínculo pessoal ou financeiro com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição alvo de investigação da Polícia Federal.
Toffoli é relator, no STF, de processos relacionados ao caso envolvendo o banco.
Participação societária
De acordo com a manifestação oficial, a Maridt é uma empresa familiar, estruturada como sociedade anônima de capital fechado. O ministro afirma que, embora seja sócio, não exerce funções de administração, que estariam a cargo de parentes, situação permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman).
A legislação autoriza magistrados a integrarem quadro societário e receberem dividendos, vedando apenas a prática de atos de gestão.
Segundo a nota, todas as declarações fiscais da empresa e de seus acionistas teriam sido regularmente apresentadas e aprovadas pelos órgãos competentes.
Envolvimento com resort no Paraná
A empresa integrou, até fevereiro de 2025, o grupo responsável pelo resort Tayayá, localizado no Paraná. A saída ocorreu em duas etapas: inicialmente, com a venda de parte das cotas a um fundo de investimentos ligado a uma gestora associada ao Banco Master, em 2021; posteriormente, com a alienação do restante da participação para outra holding, em fevereiro do ano passado.
O gabinete sustenta que as operações foram realizadas dentro de parâmetros de mercado e declaradas à Receita Federal. Os valores das transações não foram divulgados.
Negativa de relação com investigados
No comunicado, Toffoli afirma não conhecer o gestor do fundo que adquiriu parte das cotas da empresa nem manter qualquer relação com Daniel Vorcaro ou com Fabiano Zettel, familiar do empresário que foi preso em operação da Polícia Federal.
O ministro também declarou que jamais recebeu pagamentos dessas pessoas.
Relatoria sob questionamento
A nota foi divulgada um dia após o diretor-geral da Polícia Federal entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relatório com dados extraídos do celular de Vorcaro. O aparelho foi apreendido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master.
Mensagens encontradas no celular mencionariam o nome de Toffoli, o que levou a questionamentos sobre eventual impedimento do ministro na relatoria do caso. Na manifestação mais recente, o gabinete voltou a sustentar que não há motivo jurídico para alegação de suspeição.
O episódio amplia a pressão sobre o ministro em meio às investigações e reacende o debate sobre os critérios de impedimento e transparência no Supremo Tribunal Federal.