A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante desfile na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, provocou reação imediata de parlamentares da direita no Amazonas. Lideranças do campo conservador classificaram a apresentação como manifestação político-eleitoral e criticaram o que chamaram de utilização da festa como “palanque”.
O desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15), levou à avenida referências diretas ao presidente, além de elementos que remeteram a episódios recentes da política nacional. A encenação reacendeu o embate entre apoiadores e opositores do governo federal.
Entre os que se manifestaram está o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), que afirmou nas redes sociais que o espetáculo ultrapassou o campo cultural e assumiu contornos políticos. Para ele, a exibição em rede nacional ampliou o alcance de uma mensagem que, na sua avaliação, favorece o presidente.

O vereador de Manaus Capitão Carpê (PL) também criticou o desfile e afirmou que a apresentação atingiu valores defendidos por setores conservadores.

Já a deputada estadual Débora Menezes (PL) questionou o uso de recursos públicos para a realização do Carnaval e levantou dúvidas sobre eventual tratamento desigual por parte da Justiça Eleitoral.

A ala crítica concentrou atenção especial em uma alegoria que representou o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. A encenação fez parte do enredo que abordou temas ligados à defesa da democracia e ao enfrentamento de atos antidemocráticos.
Coronel Rosses fala em “cortina de fumaça”

Além das manifestações de parlamentares estaduais e federais, o vereador de Manaus Coronel Rosses (PL-AM) divulgou vídeo criticando as homenagens ao presidente. Na gravação, ele afirmou que o Carnaval estaria sendo utilizado como “cortina de fumaça” para desviar a atenção de problemas nacionais.
Rosses declarou não ser contrário à festa popular, mas questionou o que considera uso político de eventos financiados com recursos públicos. Segundo o vereador, a exaltação ao presidente em escolas que recebem verba governamental merece debate e fiscalização.
Tentativas na Justiça
Antes mesmo do desfile, integrantes da oposição já haviam buscado a Justiça Eleitoral para questionar possíveis irregularidades. Um pedido foi analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas não resultou em impedimento da apresentação.
Até o momento, não há decisão judicial que enquadre a homenagem como propaganda eleitoral irregular. O episódio, no entanto, reforça o clima de polarização política e evidencia como o embate entre governo e oposição tem alcançado também eventos culturais de grande visibilidade nacional, como o Carnaval.