Base aliada barra convocação de David Almeida na CMM para explicar Operação Erga Omnes

A investigação apura a atuação de uma organização criminosa com suspeitas de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional
Redação O Poder
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A base governista na Câmara Municipal de Manaus (CMM) rejeitou, nesta quarta-feira (25), o requerimento apresentado pelo vereador Rodrigo Guedes que solicitava a convocação do prefeito David Almeida para prestar esclarecimentos sobre a Operação Erga Omnes.

O pedido foi derrubado por 23 votos contrários e 10 favoráveis.

A proposta de convocação surgiu após a prisão da ex-chefe de gabinete do prefeito, Anabela Cardoso Freitas, durante a operação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa com suspeitas de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.

Argumentos da oposição
Em plenário, Guedes afirmou que a convocação era necessária diante das declarações públicas feitas pelo prefeito, que questionou a atuação de instituições como o Ministério Público, a Polícia Civil e o Tribunal de Justiça do Amazonas.

Para o vereador, cabe à Câmara exercer seu papel fiscalizador. “Esta Casa tem o dever moral e legal de fiscalizar o Poder Executivo”, declarou.

O parlamentar também destacou o histórico funcional de Anabela na administração pública e sua ligação com David Almeida desde o período em que ele era deputado estadual. Segundo Guedes, a servidora ocupou diferentes cargos ao longo dos anos e, mesmo após a operação, ainda constaria nomeada na estrutura municipal.

Defesa da base governista
Durante a discussão, vereadores da base saíram em defesa do prefeito. O vereador Gilmar Nascimento argumentou que o chefe do Executivo não é parte formal no processo investigativo e que não se pode antecipar julgamentos.

Segundo ele, investigação não equivale a condenação e qualquer responsabilização depende de prova concreta de envolvimento direto.

Parlamentares aliados classificaram o requerimento como uma iniciativa de cunho político e sem base jurídica suficiente para justificar a convocação neste momento.

Sobre a operação
A Operação Erga Omnes foi deflagrada na última sexta-feira (20) e, conforme a Polícia Civil, investiga um grupo estruturado que teria movimentado mais de R$ 70 milhões ao longo de quatro anos. As apurações apontam para a existência de empresas de fachada e possível conexão com a facção criminosa Comando Vermelho.

Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes estados. Parte dos investigados permanece foragida.

A repercussão política do caso se intensificou após o prefeito criticar publicamente a condução da investigação, ampliando o embate entre oposição e base aliada na Câmara.

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