Operação da PF apura suspeita de irregularidades em obras de hospital e afasta prefeito de Macapá

Segundo os investigadores, há suspeitas de atuação de um grupo formado por agentes públicos e empresários para direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e possível lavagem de dinheiro
Redação O Poder
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O prefeito de Macapá, Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan (MDB), foi afastado do cargo nesta quarta-feira (4) por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorre no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal (PF), que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos federais destinados à saúde do município.

De acordo com a investigação, os indícios apontam para possíveis desvios de emendas parlamentares que teriam sido destinadas à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. A decisão judicial também determinou o afastamento do vice-prefeito da capital amapaense, além da suspensão de outros servidores públicos por 60 dias.

Durante a operação, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá, Belém e Natal.

Segundo os investigadores, há suspeitas de atuação de um grupo formado por agentes públicos e empresários para direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e possível lavagem de dinheiro. O foco das apurações é um contrato relacionado ao projeto de engenharia e à execução das obras do hospital municipal.

As investigações também analisam movimentações financeiras consideradas atípicas. Informações do inquérito apontam que anotações encontradas durante as diligências indicariam transações que, somadas, ultrapassariam R$ 3 milhões. Os valores teriam sido depositados de forma fracionada em contas de empresas e clínicas ligadas ao prefeito e à esposa, Rayssa Furlan.

Entre as empresas citadas nas apurações estão o Instituto Medicina do Coração LTDA, ligado a Antônio Furlan, e a RCFS Médicos LTDA, vinculada a Rayssa Furlan. Outro nome mencionado na investigação é o de Hulgo Márcio Bispo Corrêa, que também teria recebido valores considerados expressivos.

A análise do material apreendido ainda apontou registros de depósitos e anotações financeiras relacionados a pessoas físicas e jurídicas que fariam parte do núcleo investigado. A PF também destacou a atuação de um motorista ligado ao prefeito, que, segundo os elementos coletados, teria realizado depósitos frequentes e de valores elevados, o que pode indicar participação no fluxo financeiro investigado.

Até o momento, a defesa dos citados não se manifestou oficialmente sobre as medidas judiciais. A investigação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.

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