Um levantamento realizado pela Revista Cenarium revelou que vereadores de Manaus destinaram cerca de R$ 3,1 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Vento Norte entre os anos de 2023 e 2026. A entidade, no entanto, apresenta lacunas quanto à sua estrutura e à definição clara de suas atividades.
De acordo com a apuração, os recursos foram indicados por parlamentares como Jaildo Oliveira (PV), Dione Carvalho (Agir) e Rosinaldo Bual (Agir). As emendas foram justificadas com base em ações esportivas, assistência social e projetos voltados à população.
Apesar disso, o instituto não possui uma sede institucional facilmente identificável. O endereço registrado aponta para um imóvel residencial na zona Centro-Sul de Manaus, sem evidências visíveis de funcionamento de projetos compatíveis com os valores recebidos.
Outro ponto que chamou atenção foi a diversidade de nomes associados à entidade em registros oficiais, como Instituto Jurupari e Centro de Capacitação e Responsabilidade Social do Audiovisual. Além disso, há divergências entre a área sugerida pela documentação, ligada ao audiovisual e as finalidades descritas nas emendas parlamentares.
Os dados levantados mostram que os repasses cresceram ao longo dos anos. Em 2023, o instituto recebeu R$ 150 mil. No ano seguinte, o valor subiu para R$ 300 mil. Já em 2025, houve um salto significativo, com mais de R$ 2 milhões destinados à entidade. Para 2026, ainda estão previstas emendas que somam R$ 650 mil.
Os recursos têm origem no Tesouro Municipal e são operacionalizados por diferentes órgãos da prefeitura, como o Fundo Manaus Solidária, a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer e o Fundo Municipal de Meio Ambiente.
A apuração da Revista Cenarium também identificou mudanças frequentes na direção da entidade e dificuldades em obter esclarecimentos por parte dos responsáveis. Vereadores citados na investigação foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação.
O caso levanta questionamentos sobre a destinação de recursos públicos e a transparência na execução de projetos financiados por emendas parlamentares.