Quaest expõe desgaste de Omar e David e abre espaço para Maria do Carmo no voto de ruptura

Omar e David têm patamares de rejeição elevados justamente por serem figuras amplamente conhecidas do eleitorado. Isso limita o espaço de crescimento de ambos e sugere que parte do eleitor amazonense já formou opinião negativa sobre essas candidaturas
Redação O Poder
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A nova pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo do Amazonas reforça um dado político relevante para 2026: os nomes mais conhecidos da corrida também são, hoje, os que enfrentam os maiores índices de rejeição. No recorte de conhecimento, potencial de voto e rejeição, Omar Aziz (PSD) aparece com 40% dos entrevistados dizendo que o conhecem e poderiam votar nele, 18% afirmando não conhecê-lo e 42% declarando que o conhecem, mas não votariam. David Almeida (Avante), por sua vez, registra 30% de potencial de voto, 16% de desconhecimento e 54% de rejeição. Já Maria do Carmo Seffair (PL) tem 16% de potencial de voto, 64% de desconhecimento e 20% de rejeição.

O dado mais expressivo do levantamento, nesse recorte, não é apenas quem lidera ou quem larga atrás, mas a dimensão do desgaste dos nomes mais consolidados. Omar e David têm patamares de rejeição elevados justamente por serem figuras amplamente conhecidas do eleitorado. Isso limita o espaço de crescimento de ambos e sugere que parte do eleitor amazonense já formou opinião negativa sobre essas candidaturas.

É importante fazer uma ressalva metodológica: os números divulgados mostram a rejeição de cada nome separadamente, mas não autorizam concluir quantos eleitores rejeitam simultaneamente Omar Aziz e David Almeida. Esse cruzamento não está presente no material público citado. O que a pesquisa permite afirmar é que existe, no eleitorado, um contingente expressivo de resistência aos dois principais nomes mais conhecidos da disputa.

Nesse contexto, Maria do Carmo aparece menos como uma candidatura já consolidada e mais como uma possível receptora do voto de insatisfação. Com apenas 20% de rejeição — bem abaixo dos índices de Omar e David — ela surge como um nome com menor desgaste, embora ainda precise vencer a barreira do desconhecimento, já que 64% afirmam não conhecê-la. Politicamente, isso significa que seu espaço de crescimento depende menos de reconquistar eleitores e mais de se apresentar ao estado.

A leitura política possível, portanto, é a de uma eleição ainda aberta, com sinais de cansaço do eleitorado em relação às lideranças mais tradicionais e maior sensibilidade a discursos de mudança. Se conseguir transformar desconhecimento em notoriedade positiva, Maria do Carmo pode tentar catalisar o eleitor que rejeita a polarização local, o desgaste de figuras já testadas e o que parte do eleitorado identifica como “mais do mesmo”. Essa hipótese, porém, ainda depende de campanha, exposição e capacidade real de conversão eleitoral.

A mesma rodada da Quaest também repercutiu pela avaliação negativa de gestores já no exercício do poder. Reportagens sobre o levantamento indicam desaprovação próxima de 60% ao trabalho de David Almeida e acima de 50% ao de Wilson Lima, o que ajuda a compor um ambiente político de insatisfação e reforça a demanda por alternativas fora do eixo governista e da velha estrutura de poder estadual.

Mais do que apontar favoritismos definitivos, a pesquisa sugere que 2026 no Amazonas pode ser disputada em torno de três forças: o voto consolidado, o voto rejeitado e o voto de ruptura. É exatamente nesse terceiro campo que Maria do Carmo tenta se posicionar.

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