David Almeida prevê novas investigações contra ele e aliados por perseguição eleitoral

Em entrevista, prefeito de Manaus e pré-candidato ao governo afirma que operação que prendeu ex-assessora faz parte de ação da “velha política” e diz que novos episódios devem ocorrer com a proximidade das eleições
Redação O Poder
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O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou na manhã desta quarta-feira (18/03), em entrevista à Rádio Difusora, que ele e pessoas próximas devem ser alvo de novas investigações nos próximos meses em função da disputa eleitoral pelo Governo do Amazonas. Segundo o prefeito, há um movimento de “perseguição da velha política” em curso.

“Para tentar me colocar em situação difícil, eles vão buscar de qualquer forma. Inclusive, essa não será a primeira e eu tenho ouvido que outras virão para tentar me constranger. São os sujos da política do Amazonas tentando sujar alguém que é limpo, trabalhador e tem feito entregas”, afirmou.

Durante a entrevista, Almeida também fez um contraponto direto com a atual gestão estadual ao defender o histórico de sua administração à frente da prefeitura.

“Eu tenho cinco anos e três meses à frente da prefeitura e nós realizamos 1.486 licitações. Eu não tenho uma licitação questionada. Eu não tenho, por exemplo, uma operação da Polícia Federal na minha gestão. O atual governo tem 12 operações em seis pastas diferentes. Nós não temos uma operação do Ministério Público, do Gaeco, porque mostramos que a lisura, a probidade e a transparência são as marcas da nossa gestão”, afirmou.

Defesa de ex-chefe de gabinete

Durante a entrevista, Almeida subiu o tom ao questionar a condução da operação Erga Omnes, realizada pela Polícia Civil do Amazonas. Segundo ele, a ação teria sido conduzida de forma irregular e com desvio de finalidade.

“Foi feita uma operação por um delegado independente, sem a anuência da Delegacia Geral. Eu falei que ele induziu o Ministério Público e a Justiça ao erro. Uma operação que era para o tráfico de drogas e não prendeu um traficante, não apreendeu relógio ou valores algum. Foram buscar uma assessora minha que comprou uma passagem em uma agência de turismo, que existe há mais de 30 anos, tentando ligá-la a algo ilícito. Eu continuo a defesa de uma inocente”.

Sem entrar em detalhes sobre o conteúdo das investigações, o prefeito afirmou que o cenário tende a se repetir com maior intensidade à medida que o calendário eleitoral avança, atingindo não apenas sua gestão, mas também aliados políticos.

O prefeito também saiu em defesa da ex-assessora, destacando confiança em sua conduta e classificando a operação como parte de um contexto político mais amplo. Na entrevista, ele indicou que interpreta as ações como tentativas de enfraquecimento de sua pré-candidatura ao governo estadual.

A operação que motivou as declarações investiga um suposto “núcleo político” ligado à facção criminosa Comando Vermelho. Segundo a polícia, Anabela teria movimentado mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo para uma agência de turismo apontada como empresa de fachada, sem origem declarada dos recursos — indício, de acordo com os investigadores, de possível prática de lavagem de dinheiro.

Os dados foram identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Além de Anabela, o empresário Alcir Queiroga também foi preso. Em depoimento, ele confirmou à polícia a movimentação financeira e afirmou que os valores eram utilizados para a compra de passagens aéreas destinadas ao prefeito, familiares e integrantes da administração municipal, com pagamentos majoritariamente em dinheiro em espécie.

As investigações apontam ainda que a agência não possui estrutura operacional — sem sede formal, site ou registros de emissão junto a companhias aéreas —, sendo considerada uma empresa fantasma. De acordo com a Polícia Civil, os recursos também teriam sido movimentados em benefício de uma organização criminosa.

A operação Erga Omnes resultou na prisão de 14 pessoas e integra uma apuração mais ampla sobre um esquema que, segundo a polícia, movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, com ramificações no tráfico de drogas e uso de empresas de fachada nos setores de transporte e logística.

Apesar da gravidade das acusações, David Almeida evitou comentar ponto a ponto das investigações durante a entrevista, mas reforçou que sua gestão está aberta a esclarecimentos. Ao mesmo tempo, manteve o discurso de que há seletividade nas ações e que o ambiente político tende a se acirrar nos próximos meses.

A declaração insere a crise no centro do debate eleitoral no Amazonas, antecipando uma disputa marcada não apenas por propostas, mas também por narrativas de enfrentamento entre grupos políticos e pela repercussão de investigações em curso.

 

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