O Governo Federal oficializou, na manhã desta sexta-feira (20/03), uma mudança estratégica no comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior é o novo superintendente da autarquia, substituindo João Bosco Gomes Saraiva, que deixou o cargo a pedido.
A troca, publicada no Diário Oficial da União (DOU), marca a ascensão de um perfil técnico e “da casa” para o topo da hierarquia do Distrito Industrial. A nomeação foi formalizada pela Casa Civil da Presidência da República.
Perfil técnico e experiência interna
Leopoldo Montenegro não é um estranho aos corredores da Suframa. Servidor de carreira, ele ocupava até então a Superintendência Adjunta de Projetos (SAP), considerada o “coração operacional” da instituição. Sua promoção ao cargo máximo é vista pelo setor produtivo como uma sinalização de continuidade técnica e fortalecimento do corpo funcional da autarquia.
Por conhecer os trâmites internos e os gargalos burocráticos, a expectativa é de uma gestão focada na agilidade processual e na segurança jurídica para as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).
A importância da trajetória na SAP
Para entender o peso da escolha, é preciso olhar para a pasta que Leopoldo comandava. A Superintendência de Projetos é onde a engrenagem da Zona Franca realmente gira. Sob sua gestão estavam responsabilidades cruciais, como:
Análise de projetos: Avaliação técnica e econômica de todos os projetos industriais antes da submissão ao Conselho de Administração da Suframa (CAS).
Fiscalização do PPB: Verificação do cumprimento do Processo Produtivo Básico, conjunto de operações que garante os benefícios fiscais às empresas.
Distrito Agropecuário: Gestão e fiscalização de projetos agropecuários, área estratégica para a diversificação da matriz econômica regional.
Bosco Saraiva
João Bosco Saraiva encerra seu ciclo na Suframa com um balanço focado na democratização e interiorização do modelo Zona Franca. Durante sua gestão, buscou aproximar a autarquia dos municípios do interior e manter um diálogo político intenso em Brasília, especialmente durante as discussões sensíveis da Reforma Tributária.
A saída de Bosco, embora oficializada agora, já era antecipada por bastidores políticos como parte de um rearranjo natural. O objetivo é focar na pré-candidatura a deputado estadual e tratar de sua filiação ao partido PSD.
Bosco deixa para seu sucessor o desafio de consolidar os investimentos aprovados nas últimas reuniões do CAS e garantir que o modelo Manaus mantenha sua competitividade diante das novas regras tributárias nacionais.