O lançamento do 59º Festival Folclórico de Parintins, realizado no último fim de semana, não ficou restrito às toadas de Caprichoso e Garantido. Nos bastidores, o clima festivo deu lugar às articulações para a sucessão estadual de 2026. O grande destaque foi a postura do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade (União Brasil), que ao ser questionado sobre a possibilidade de compor como vice na chapa do senador Omar Aziz (PSD), evitou a negativa e sinalizou uma convergência que pode redesenhar o mapa político do Amazonas.
Embora nenhum dos dois tenha batido o martelo publicamente, as declarações de Roberto Cidade em Parintins — onde ele quase “entregou os pontos” sobre o possível acordo entre União Brasil e PSD — confirmam um movimento natural no processo político.
No início de março, durante um ato de filiação no MDB, em Manaus, Omar Aziz já havia preparado o terreno. Ao ser questionado sobre Cidade, o senador foi enfático ao dizer que “tudo é possível, é uma construção” e destacou que o deputado “tem um potencial muito grande”.
Um ponto que ainda gera discussões é o perfil do vice. Originalmente, o desejo de Omar era ter uma mulher na chapa para garantir pautas ativas e sociais, como as defendidas pela deputada Alessandra Campelo. A ascensão de Roberto Cidade atende a uma necessidade de “musculatura política” e capilaridade no interior, mas deixa em aberto como o grupo pretende preencher a lacuna da representatividade feminina que era a prioridade inicial de Omar.
O Isolamento de David Almeida
A concretização dessa união tem um alvo estratégico claro: o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Ex-aliado tanto de Wilson Lima quanto de Omar Aziz, David pode se ver em um cenário de isolamento político sem precedentes.
A estratégia por trás da chapa Omar-Cidade visa drenar o capital político e retirar votos do prefeito, que corre o risco de perder forças e interlocução nas bases que hoje divide com o Estado e com a bancada federal. Sem o apoio desses dois gigantes, o projeto de reeleição ou de alçar voos maiores em 2026 torna-se uma jornada solitária e de alta resistência.
O Fator Tadeu de Souza: Candidatura em Xeque?
A movimentação também coloca um holofote sobre o vice-governador Tadeu de Souza (Avante). Considerado o sucessor natural, Tadeu já manifestou o desejo de ser candidato ao Governo. A entrada de Roberto Cidade na vice de Omar cria um dilema para Tadeu: aceitar um novo papel coadjuvante na composição majoritária ou buscar viabilizar sua candidatura em um bloco independente — o que, ironicamente, poderia aproximá-lo ainda mais do destino de seu correligionário, David Almeida.