A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autorizou a desfiliação da deputada federal Alessandra Haber (ex-MDB) sem perda de mandato reconfigura o cenário político no Pará e amplia a movimentação para as eleições de 2026.
A parlamentar, que foi a mais votada do estado em 2022, alegou discriminação política e pessoal dentro do partido. O entendimento foi acolhido pela maioria dos ministros, que reconheceram a existência de um ambiente que comprometeu o exercício do mandato.
Desfiliação impulsiona candidatura de marido
A saída de Alessandra Haber do MDB ocorre em um contexto de distanciamento político já consolidado com o grupo do governador Helder Barbalho e fortalece diretamente o nome de seu marido, Daniel Santos (PSB), como pré-candidato ao Governo do Pará.
Prefeito de Ananindeua e principal nome fora da base governista, Daniel aparece à frente em cenários eleitorais recentes, consolidando-se como um dos protagonistas da disputa estadual.
Levantamento do instituto Paraná Pesquisas aponta o gestor com 39,1% das intenções de voto em um dos cenários, à frente da vice-governadora Hana Ghassan (MDB), que aparece com 30,4%. Em outro cenário, Daniel lidera com 31,9%, seguido por Hana (27,2%) e pelo deputado federal Éder Mauro (PL), com 26,6%, configurando empate técnico entre os três.
Decisão do TSE e bastidores políticos
Na análise do caso, a relatora destacou que a deputada ficou por meses sem indicação para comissões permanentes da Câmara, mesmo com vagas disponíveis, o que prejudicou sua atuação parlamentar.
O entendimento foi de que houve omissão deliberada do partido, caracterizando discriminação suficiente para justificar a saída sem perda do mandato.
A decisão ocorre em meio a um cenário de articulações políticas intensas no estado, com movimentações que indicam uma disputa acirrada pelo comando do Executivo estadual em 2026.