A decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a investigação sobre supostos desvios milionários no Hospital Santa Maria de Ananindeua coloca um novo fator no cenário político do Pará a poucos meses das eleições de 2026.
O pedido da defesa do prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, foi negado pelo ministro Dias Toffoli no último dia (20/03), que entendeu haver indícios suficientes para continuidade do Procedimento Investigatório Criminal (PIC), conduzido pelo Ministério Público do Pará (MPPA) no Tribunal de Justiça do Pará.
O que está sendo investigado
A apuração, chamada de “Operação Cornis”, investiga supostos desvios de aproximadamente R$ 261,3 milhões em contratos ligados ao Instituto de Assistência ao Servidor Público do Estado do Pará (IASEP).
Entre os principais pontos levantados na investigação estão:
• Indícios de superfaturamento em contratos hospitalares;
• Crescimento considerado atípico de 838,56% no lucro do hospital até 2022;
• Comparações com valores praticados por outras unidades conveniadas ao IASEP;
• Suspeita de participação indireta de Daniel Santos na gestão da unidade, mesmo após saída formal da sociedade.
Segundo o STF, não há ilegalidade na abertura da investigação e existem elementos que justificam a continuidade das apurações.
Como a investigação começou
O caso teve origem em uma medida cautelar do MPPA que solicitava ações como busca e apreensão, bloqueio de bens e afastamento de funções.
Antes da decisão do STF, o Superior Tribunal de Justiça já havia mantido o andamento do processo, rejeitando pedido da defesa para suspender a investigação.
O Supremo reforçou que esse tipo de recurso não permite análise aprofundada de provas, mas destacou a existência de indícios mínimos para prosseguimento.
Outras investigações no radar
Além do caso envolvendo o hospital, Daniel Santos também esteve no centro de outro processo no STF relacionado à chamada “Operação Hades”, que apura suspeitas de irregularidades em contratos na área da construção civil.
Nesse caso, o ministro Alexandre de Moraes entendeu que não há relação direta entre a investigação e questionamentos apresentados pela defesa, mantendo a validade das apurações.
Defesa do prefeito
Em nota, a defesa de Daniel Santos afirma que os preços praticados pelo hospital seguem padrões adotados por outras unidades do estado e que a regularidade será comprovada na Justiça.
O prefeito também sustenta que não cometeu irregularidades e classifica as investigações como resultado de perseguição política.
Filiação e projeto eleitoral
Após a decisão, Daniel Santos oficializou a filiação ao Podemos, com intenção de concorrer ao governo do Pará.
A mudança partidária faz parte de uma estratégia para consolidar uma candidatura de oposição ao grupo político do governador Helder Barbalho, que articula a sucessão estadual.
Com a nova filiação, Daniel busca ampliar base política e estrutura eleitoral em um momento considerado decisivo para a formação de alianças.
Impacto no cenário eleitoral de 2026
Faltando cerca de sete meses para as eleições, a manutenção da investigação adiciona um elemento relevante ao ambiente político.
Levantamentos recentes indicam Daniel Santos como um dos principais nomes na disputa pelo governo, aparecendo na liderança em alguns cenários e em empate técnico em outros.
A continuidade das apurações pode influenciar diretamente:
• A construção de alianças políticas;
• O posicionamento de partidos no estado;
• A percepção do eleitorado durante a campanha;
• O ritmo de crescimento ou estabilidade nas intenções de voto.
O que acontece agora
O STF determinou a continuidade das investigações e recomendou celeridade no andamento do caso.
Com foro por prerrogativa de função, o processo segue sob supervisão do Tribunal de Justiça do Pará, enquanto o Ministério Público continua reunindo provas e aprofundando as apurações.
O caso permanece em fase investigativa, sem julgamento de mérito até o momento.