Troca de comando no DC em Rondônia acende alerta após promessa de investimento de R$ 5 milhões

Ascensão de Ednei Lima à presidência estadual do Democracia Cristã é marcada por ceticismo de lideranças nacionais; mudança de gestão tira partido da base de Marcos Rocha e sinaliza aliança com o PL
Redação O Poder
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A recente dança das cadeiras no comando do Democracia Cristã (DC) em Rondônia ultrapassou os limites burocráticos e mergulhou o partido em uma nuvem de tensão e desconfiança. A chegada do servidor do Judiciário, Ednei Lima, à presidência estadual — substituindo a empresária Lucia Teixeira — veio acompanhada de uma promessa que balançou os bastidores: um investimento pessoal de R$ 5 milhões para a campanha de 2026.

A meta ousada de Ednei é usar o montante para eleger dois deputados estaduais e ao menos um federal. No entanto, o anúncio, em vez de trazer segurança, ligou o sinal de alerta na cúpula nacional da sigla.

Ceticismo e Capacidade Financeira

De acordo com interlocutores próximos à direção nacional, houve uma movimentação silenciosa para checar a real capacidade financeira do novo presidente. Fontes ligadas ao blog Entrelinhas indicam que lideranças políticas rondonienses, ao serem consultadas, reagiram com descrença. O perfil de servidor público de Ednei, segundo os relatos, não condiz com a disponibilidade imediata de um aporte dessa magnitude, o que gerou questionamentos sobre a origem ou a viabilidade dos recursos prometidos.

Giro Ideológico: Do PSD ao PL

Além da questão financeira, a mudança de comando representa uma guinada estratégica no tabuleiro estadual. Sob a gestão de Lucia Teixeira, o DC mantinha um alinhamento sólido com o PSD do governador Marcos Rocha. Agora, com a liderança de Ednei Lima, o partido ensaia um desembarque da base governista para buscar abrigo no PL, aproximando-se da ala conservadora ligada à direita rondoniense.

A Digital de Edgar do Boi

Os bastidores apontam que a ascensão de Ednei não foi um movimento isolado. O ex-vice-prefeito de Porto Velho, Edgar do Boi, é apontado como o principal articulador da mudança. Edgar teria sido a “ponte” entre Ednei e a executiva nacional para viabilizar a troca de comando.

Historicamente, o DC (antigo PSDC) já teve momentos de protagonismo em Rondônia, ocupando espaços na Assembleia Legislativa durante a era Ivo Cassol e a vice-prefeitura da capital. O retorno dessa influência, no entanto, começa sob fogo cruzado e com a necessidade de Ednei Lima provar que sua promessa milionária não é apenas “fogo de palha” eleitoral.

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