A capital de Roraima vive um novo momento administrativo. Com a renúncia de Arthur Henrique, que deixa o cargo focado no pleito de 2026, o médico e militar Marcelo Zeitoune (PL) assumiu oficialmente o comando da Prefeitura de Boa Vista nesta quinta-feira (2).
Aos 55 anos, Zeitoune chega ao topo do Executivo municipal com uma trajetória marcada pela disciplina militar e pela experiência na saúde pública, enfrentando agora o desafio de gerir a única capital do país acima da linha do Equador.
Trajetória: Medicina, Exército e Diplomacia
Natural do Rio de Janeiro, Zeitoune construiu uma carreira sólida antes de ingressar na política partidária. Tenente-coronel do Exército Brasileiro e médico ortopedista, ele carrega no currículo experiências internacionais e de alto escalão:
• Missão Internacional: Atuou sob a bandeira da ONU na Missão de Estabilização no Haiti (MINUSTAH).
• Segurança Institucional: Integrou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República durante as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
A Ascensão Política
Embora a prefeitura seja seu primeiro cargo eletivo, Zeitoune não é um estranho à gestão pública local. Ele foi peça-chave na vitória esmagadora do PL em 2024, quando a chapa Arthur-Zeitoune conquistou 75,18% dos votos válidos ainda no primeiro turno.
Antes de assumir o cargo de vice-prefeito, ele testou sua capacidade administrativa à frente da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em 2025, onde lidou diretamente com as demandas mais sensíveis da população boa-vistense.
O que esperar até 2028?
Com a posse, Marcelo Zeitoune herda uma prefeitura com alta aprovação popular, mas com o desafio de manter o ritmo de obras e serviços deixado por seu antecessor. Seu mandato se estenderá até 31 de dezembro de 2028.
Analistas locais apontam que o perfil técnico e militar do novo prefeito pode imprimir um tom de maior rigor administrativo e eficiência operacional na máquina pública, mantendo o alinhamento com as pautas de direita que o elegeram.
Peso da Sucessão
A renúncia de Arthur Henrique não é apenas um movimento administrativo, mas um xadrez político visando 2026. Para Zeitoune, o momento é de consolidação. Ele deixa de ser a “sombra” do vice para se tornar o protagonista. A grande pergunta nos bastidores é: ele manterá o secretariado atual ou buscará imprimir uma marca própria, mais voltada ao seu perfil conservador e técnico?
A transição parece pacífica, mas os holofotes agora se voltam para como o médico fluminense, radicado em solo roraimense, irá manejar as pressões políticas da Câmara Municipal e as demandas sociais da capital.