Renato Junior nomeia Nagib Salem no comando da Semsa, Junior Nunes na Semhaf e Márcio Braz na Manauscult

As trocas no primeiro escalão oficializam a saída de nomes fortes para o pleito de 2026 e sinalizam um movimento de blindagem política em áreas sensíveis da administração municipal
Redação O Poder
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A edição extra do Diário Oficial do Município (DOM) desta sexta-feira (3), não apenas formalizou mudanças técnicas na Prefeitura de Manaus, mas marcou o movimento final do prefeito Renato Junior no tabuleiro da desincompatibilização eleitoral. Ao substituir secretários de confiança que buscam cadeiras no Legislativo por nomes “prata da casa” — todos ex-subsecretários das pastas —, o prefeito sinaliza uma estratégia de continuidade administrativa e blindagem técnica para os meses críticos que antecedem a eleição.

Na Saúde (Semsa), a saída de Shádia Fraxe eleva ao comando o administrador Nagib Salem. A escolha é nitidamente pragmática: Salem, que já operava a engrenagem administrativa da pasta como subsecretário desde 2021, possui o perfil técnico e a formação acadêmica (UFAM e FGV) necessários para evitar que a saúde — tema central de qualquer debate eleitoral — sofra descontinuidade ou se torne um flanco aberto para a oposição.

Movimento semelhante ocorre na Habitação (Semhaf) com a ascensão de Junior Nunes. Ao substituir Jesus Alves, Nunes traz o vigor de um jovem advogado e empresário que já conhece os gargalos da regularização fundiária na capital. Sua experiência prévia como Diretor-Geral da Espi confere ao novo titular a agilidade necessária para manter o ritmo de entregas em uma pasta que possui forte apelo popular e capilaridade eleitoral.

Já na Manauscult, a saída de Jender Lobato abre espaço para o perfil acadêmico e artístico de Márcio Braz Santana. Diferente de seus antecessores mais políticos, Braz é um especialista em políticas culturais com chancela da Unesco e mestrado pela UEA. Essa nomeação sugere um esforço da gestão em qualificar o diálogo com a classe artística e garantir o sucesso dos grandes eventos do calendário municipal sob uma ótica mais técnica e menos partidária.

As baixas de Joel Silva (Semjel) e Robson Goiabeira (UGPM-Água) completam o esvaziamento das pastas por figuras que agora mergulham integralmente na articulação das ruas. Ao promover “substitutos internos”, Renato Junior tenta mitigar o trauma das trocas de comando e manter a máquina pública rodando em alta rotação, garantindo que a saída dos seus principais articuladores para a disputa nas urnas não paralise as metas de governo no ano decisivo do mandato.

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