A pesquisa Iveritas/Imediato divulgada hoje (06) chega ao debate público como um retrato de um cenário que, politicamente, já começou a mudar. No recorte testado pelo levantamento para o Governo do Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) aparece na liderança com 36,56% das intenções de voto, seguido por Maria do Carmo Seffair (PL), com 28,27%, e pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com 20,25%.
Na rejeição, David lidera com 40,02%, enquanto Omar tem 22,55% e Maria do Carmo, 22,01%. No Senado, Capitão Alberto Neto (PL) aparece à frente no primeiro voto, com 36,15%, seguido por Eduardo Braga (MDB), com 28,09%, e Plínio Valério (PSDB), com 11,57%. Para presidente, o levantamento mostra Lula (PT) com 44,86% e Flávio Bolsonaro (PL) com 42,32%, em situação de empate técnico dentro da margem de erro.
O principal gancho político do levantamento, porém, está menos nos números isolados e mais no momento em que eles vêm a público. A pesquisa foi fechada antes da reviravolta do fim de semana que alterou o tabuleiro local: Wilson Lima renunciou ao Governo do Amazonas na noite de sábado (4) para disputar o Senado, Tadeu de Souza deixou a vice para concorrer a deputado federal, e Roberto Cidade assumiu interinamente o comando do Estado neste domingo (5). Pela Constituição do Amazonas, a vacância simultânea dos cargos no último biênio obriga a Assembleia Legislativa a realizar eleição indireta para governador e vice em até 30 dias.
Isso faz com que a Iveritas/Imediato seja, ao mesmo tempo, relevante e parcialmente superada pelo noticiário. Relevante porque mostra com nitidez o quadro que vinha sendo desenhado até aqui: Omar segue como referência central da disputa ao governo, Maria do Carmo se consolida como nome competitivo, e David carrega um peso de rejeição que pode limitar seu crescimento. Mas é também uma fotografia de um cenário anterior à entrada mais explícita de Wilson na corrida ao Senado e à ascensão institucional de Roberto Cidade ao Executivo, duas variáveis que tendem a impactar diretamente as próximas rodadas de pesquisa.
Na série recente de pesquisas, Omar já vinha demonstrando estabilidade no topo. Em julho de 2025, levantamento do Ipen o colocava com 36,3% em um cenário estimulado contra David Almeida e Maria do Carmo; naquela mesma rodada, David marcava 24,2% e Maria, 19,2%. Agora, a Iveritas o mostra praticamente no mesmo patamar, com 36,56%, enquanto Maria sobe para 28,27% e David recua para 20,25%. Em outras palavras, a nova pesquisa sugere menos uma mudança na liderança e mais uma reorganização do bloco de trás: Omar continua à frente, Maria cresce e David passa a enfrentar um ambiente mais apertado.
O dado mais sensível para David é a rejeição. Em julho de 2025, o Ipen já mostrava o prefeito de Manaus como o nome mais rejeitado entre os testados para o governo, com 30,3%. Agora, esse índice sobe para 40,02% na Iveritas. Isso não significa eliminação automática da disputa, mas impõe um desafio objetivo: para seguir competitivo, David precisará crescer sem ampliar ainda mais a resistência de um eleitorado que já demonstra forte barreira ao seu nome.
Do lado de Maria do Carmo, o levantamento reforça uma tendência de consolidação. Ela sai de 19,2% no cenário com David testado pelo Ipen em 2025 para 28,27% agora, aproximando-se de Omar e se firmando como a candidatura que mais claramente cresce no campo da oposição ao sistema político tradicional do Estado. Para uma eleição que já vinha sendo lida como polarizada entre nomes muito conhecidos, esse avanço ajuda a explicar por que Maria deixou de ser tratada apenas como aposta e passou a ser tratada como variável real da disputa majoritária.
No Senado, a pesquisa também traz uma fotografia importante, mas igualmente incompleta diante dos fatos novos. Alberto Neto lidera o primeiro voto com 36,15%, Eduardo Braga aparece com 28,09% e Plínio Valério surge como nome forte para o segundo voto, chegando a 23,02% nesse recorte.
O problema é que a rodada não mediu Wilson Lima, que desde 2025 já vinha aparecendo com densidade eleitoral para a disputa senatorial. Em abril do ano passado, pesquisa Direto ao Ponto o colocava entre os líderes, com 38%; em outubro, a Real Time o mostrava com 18% em um dos cenários; em dezembro, ele aparecia com 16%; e, em março deste ano, voltou a marcar 16% em cenário da Real Time com seu nome incluído. Ou seja: se Wilson entrar de fato na disputa, ele não entra como figurante.
Já Roberto Cidade passa a ser um ponto cego ainda maior das pesquisas para o governo. Até aqui, seu nome vinha aparecendo muito mais como ativo político relevante do que como candidato consolidado ao Executivo. Em março, a AtlasIntel o colocou com 5,2% em cenário para o Senado; antes, em abril de 2025, pesquisa Direto ao Ponto já o apontava como nome forte para deputado federal. Agora, ao assumir interinamente o governo e entrar no centro do processo de eleição indireta, Cidade ganha um tipo de visibilidade que nenhum levantamento estadual recente conseguiu medir no plano majoritário. Isso significa que, se ele optar por disputar espaço no jogo de outubro, partirá de uma condição política diferente daquela captada até aqui pelos institutos.
É justamente aí que a eleição amazonense passa a ter um novo desafio. A partir de agora, o Estado terá três disputas sobrepostas: a eleição indireta para o mandato-tampão no governo, a reorganização da corrida ao Senado com a entrada formal de Wilson Lima e a necessidade de reavaliar a disputa pelo Executivo estadual com um ator novo no centro da máquina pública, Roberto Cidade. Em termos práticos, a leitura das pesquisas deixará de ser apenas “quem lidera” e passará a depender de outra pergunta: quem consegue transformar poder institucional momentâneo em viabilidade eleitoral até outubro.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AM-03018/2026, ouviu 2.604 eleitores em entrevistas presenciais entre os dias 13 e 20 de março, tem margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. De acordo com confirmação do instituto à reportagem, a amostra abrangeu nove cidades, incluindo Manaus. Nesse sentido, o estudo continua útil como retrato do cenário que foi testado. Mas, depois do que ocorreu no fim de semana, ele também virou outra coisa: o registro final de um tabuleiro que já começou a ser desmontado.
PEQUISA- – IVERITAS MANAUS – PESQUISA REGISTRADA NO TSE COM O NÚMERO AM03018-2026 (1)