A classe empresarial do Amazonas já ligou o sinal de alerta para o segundo semestre de 2026. Durante a 4ª Reunião de Diretoria da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio AM), realizada nesta segunda-feira (20), a orientação central foi clara: antecipação. Diante de prognósticos climáticos que apontam para uma estiagem rigorosa, a entidade recomenda que o setor produtivo acelere a compra de mercadorias e insumos para evitar o desabastecimento e o frete abusivo.
O encontro, liderado pelo presidente Aderson Frota, contou com a participação do secretário da Defesa Civil do Estado, coronel Francisco Máximo. O panorama técnico apresentado não é animador: fenômenos como o possível retorno do El Niño devem intensificar as temperaturas e antecipar o período de vazante, comprometendo o calado dos rios — a principal rodovia do Amazonas.
O custo da logística na vazante
O setor de comércio e serviços ainda guarda as cicatrizes das secas históricas recentes, que isolaram municípios e obrigaram o uso de balsas menores e dragagens de emergência, elevando drasticamente o custo final ao consumidor.
“Este momento nos dá a oportunidade de termos um embasamento científico. Isso reforça a necessidade de adotarmos medidas preventivas para reduzir custos e proteger o capital das empresas”, destacou Aderson Frota. Para a Fecomércio, o planejamento agora é a única vacina contra o prejuízo inflacionário que a seca costuma impor ao estado.
Análise: Adaptação é a nova regra do mercado
O recado da Defesa Civil aos empresários foi direto: eventos extremos deixaram de ser exceção para virar regra. A integração entre o monitoramento hidrológico e a estratégia de estoque das empresas tornou-se uma questão de sobrevivência econômica.
A participação do deputado federal João Carlos na reunião também sinaliza que a bancada amazonense deve ser acionada para garantir que medidas de infraestrutura, como a manutenção da navegabilidade nos chamados “pontos críticos” (passos), não fiquem para a última hora. Em um estado onde o rio é a rua, a economia de 2026 será ditada pelo ritmo das águas — e pela velocidade de reação de quem move o comércio.