A divulgação da nova pesquisa do Instituto Veritá neste mês de abril altera o eixo da narrativa política no Amazonas. Pela primeira vez na sequência recente de levantamentos, Maria do Carmo (PL) aparece na liderança isolada da disputa pelo Governo do Estado, registrando 41,0% dos votos válidos. O senador Omar Aziz (PSD) aparece em segundo com 34,5%, seguido por David Almeida (Avante) com 12,7% e Roberto Cidade (União) com 11,8%.
O resultado consolida a tendência de crescimento que Maria já vinha demonstrando em março, quando a AtlasIntel apontou um empate técnico com Omar. Agora, Maria deixa de ser apenas uma “promessa” para se tornar o principal fato político da eleição, capitalizando o espólio da direita no estado.

O “Galo no Pote”: Indecisão e Rejeição
Apesar da liderança de Maria nos votos válidos, a pesquisa acende um alerta para todos os prefeituráveis: o jogo está longe de estar decidido. No dado total, 81,7% dos entrevistados afirmaram que ainda não têm um candidato definido para governador.
Quem mais sente o desgaste neste momento é David Almeida. Na comparação com o levantamento anterior (Iveritas/Imediato), David caiu de 20,25% para 12,7% dos válidos. O agravante para o ex-prefeito é a barreira da rejeição, que permanece estagnada em 40,1%, o maior índice entre os competidores.
Roberto Cidade: O “Candidato Reserva”
O presidente da Aleam e governador interino, Roberto Cidade, apresenta um quadro curioso. Embora apareça em quarto lugar nas intenções de voto (11,8%), ele lidera com folga a segunda intenção de voto (36,5%) e possui a menor rejeição do cenário (5,6%).
O desafio de Cidade, contudo, é converter essa aceitação em preferência real. Sua gestão interina enfrenta resistência, com 61,8% de desaprovação, o que explica por que o eleitor o vê como uma alternativa viável, mas ainda não o escolheu como favorito.
Senado: Alberto Neto e a guerra pela segunda vaga
Na corrida para o Senado, o Capitão Alberto Neto (PL) consolida sua posição de favorito. No primeiro voto estimulado, ele lidera com 34,5% dos válidos, mas é na pesquisa espontânea que ele impressiona: alcança 59,9% das citações entre quem já escolheu um nome. Eduardo Braga (MDB) mantém a segunda posição com 25,3%.
A disputa pela segunda cadeira, no entanto, é onde reside a maior indefinição. No recorte de segundo voto, Plínio Valério (PSDB) lidera com 23,1%, seguido por Marcelo Ramos (PT) com 16,9%. O ex-governador Wilson Lima (União), embora tenha entrado recentemente no radar do Senado após sua renúncia, aparece com 9,9% dos válidos no primeiro voto, mostrando-se competitivo, mas ainda fora do bloco de elite formado por Alberto e Braga.
Fator polarização
A subida de Maria do Carmo e a liderança de Alberto Neto indicam que a “onda 22” continua com fôlego no Amazonas, puxada pela força do PL nacional. Omar Aziz, embora tenha perdido a liderança numérica, permanece como o principal contraponto e possui estrutura para uma reação. O dado mais relevante, contudo, é o “voto silencioso”: com mais de 80% de indecisos, as convenções partidárias e o início do horário eleitoral serão os verdadeiros divisores de águas para definir se a liderança de Maria é sólida ou se o estado terá uma reviravolta de última hora.