A situação financeira de uma clínica responsável pelo atendimento de pacientes renais no Tocantins voltou a acender um alerta na área da saúde. Segundo a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), o Instituto de Nefrologia do Tocantins aguarda o pagamento de aproximadamente R$ 1 milhão referente a serviços de hemodiálise já realizados. A entidade afirma que o atraso compromete a sustentabilidade da unidade e pode afetar o tratamento de 149 pacientes que dependem da terapia para sobreviver.
De acordo com a associação, a clínica presta atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo sem contrato formal vigente desde 2025, recebendo os valores por meio de processos administrativos de reconhecimento de dívida. Ainda conforme a ABCDT, os recursos cobrados correspondem aos serviços realizados nos meses de março e abril deste ano e ainda não teriam sido quitados pelo Governo do Tocantins.
A entidade afirma que a unidade já esgotou a capacidade de manter as atividades com recursos próprios. Entre as dificuldades relatadas estão atrasos no pagamento de funcionários, honorários médicos e fornecedores, além do aumento da pressão financeira sobre a instituição. Segundo a associação, a manutenção do serviço depende da regularização dos repasses.
A ABCDT também sustenta que os recursos federais destinados ao custeio da terapia renal substitutiva são transferidos regularmente pelo Ministério da Saúde aos gestores estaduais, mas a clínica informa que os valores ainda não chegaram ao prestador responsável pelo atendimento. A entidade defende que os repasses ocorram dentro dos prazos previstos para evitar prejuízos aos pacientes.
Outro ponto levantado pela associação é o atraso no pagamento do cofinanciamento estadual destinado às clínicas de diálise. Segundo a ABCDT, a irregularidade se soma ao déficit provocado pela defasagem da tabela do SUS, que, de acordo com estudos citados pela entidade, remunera a hemodiálise abaixo do custo real do procedimento.
Diante do cenário, a associação cobra três medidas consideradas prioritárias: a quitação dos valores pendentes, a formalização de um contrato entre o Estado e a clínica e a criação de condições que garantam estabilidade financeira ao serviço. A entidade ressalta que a interrupção do atendimento representaria um risco imediato aos pacientes renais crônicos, já que a hemodiálise é um tratamento contínuo e não pode ser suspenso.