Especialistas comentam interminável ‘novela política’ que atinge o município de Coari

Especialistas analisam os impactos da interminável 'novela política' que afeta a administração do município de Coari, no interior do Amazonas.
Redação O Poder
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Manaus | AM

Nos últimos anos, o município de Coari vive uma interminável ‘novela’, sempre com novos capítulos e tendo como o maior prejudicado: o povo. Agora, os holofotes estão na eleição suplementar que deve ‘atingir’ a cidade nos próximos meses. Em entrevista ao site O PODER, o cientista político e advogado Helso Ribeiro, afirma que “uma eleição extra (suplementar) é uma fortuna” e que a situação que a cidade vive é “lastimável”.

Desde o final do ano passado, Coari vem sendo administrada, interinamente, pela presidente da Câmara de Vereadores, Dulce Menezes, tia do prefeito eleito Adail Filho, mas que teve registro de candidatura cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), por ferir a legislação eleitoral que proíbe que integrantes do mesmo núcleo familiar exerçam mandados por mais de duas legislaturas consecutivas.

O prefeito afastado de Coari, Adail Filho
(Imagem: Divulgação)

Para o especialista, as decisões judiciais, como a última do ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que negou a realização de uma eleição imediata e outras que ocorrem desde as últimas eleições, estão vitimando e freando a administração pública.

https://opoder.ncnews.com.br/destaque/cientista-politico-explica-decisao-do-tse-que-cassou-a-candidatura-do-prefeito-de-coari-adail-filho/

“É uma cidade que teria condições de ter um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) altíssimo e a administração acaba ficando emperrada porque é difícil você imaginar uma pessoa, de forma interina, fazer projetos de longo, de médio prazo”, explicou ele, lembrando que Coari é uma das cidades que mais recebem royalties no Brasil, por conta das participações pela produção de petróleo e gás natural de Urucu.

Nova eleição

Conforme a advogada Maria Benigno, a coligação ‘Ficha Limpa’, adversária a de Adail e encabeçada por Robson Tiradentes Júnior, que inclusive foi quem impugnou sua candidatura, pediu que o TSE determinasse ao TRE-AM a adoção de medidas para dar andamento à nova eleição.

O segundo colocado na Eleição 2020 de Coari, Robson Tiradentes Júnior (Imagem: Divulgação)

“O ministro, que entende do que consta na resolução que trata de registro de candidaturas e os efeitos das decisões, afirmou que, embora tenha sido mantido indeferido o registro de candidatura de Adail, decidiu que para realizar novas eleições é necessário a confirmação plenária (visto que houve recurso contra a decisão monocrática) ou o trânsito em julgado (se não tivesse tido recurso, o que não é o caso). Essa explicação é porque não é necessário trânsito em todas as instâncias (até o STF), bastando a confirmação plenária da Corte Superior Eleitoral”, detalhou Maria.

A advogada  ressaltou, ainda, que a decisão está de acordo com o entendimento do TSE e que em outros casos (exigência de decisão plenária e não apenas monocrática), essa decisão colegiada não irá tardar, pois já houve recurso e contrarrazões, sendo provável que ainda nesse mês de maio se tenha essa confirmação, quando então o TRE-AM será comunicado e poderá adotar as medidas para novas eleições.

Respeito

Em resposta ao site O PODER, Adail Filho disse que a última decisão do TSE respeita os trâmites legais do processo. “Respeitar os trâmites é algo que viemos fazendo no decorrer desses últimos meses. Em nenhum momento passamos por cima da Justiça, como esse candidato vem tentando fazer, o que só demonstra e confirma seus interesses pessoais, visando somente o poder, não existe preocupação com a população e o município de Coari. Um fato lamentável!”, declarou ele.

Além disso, ele reforçou que “enquanto estivermos amparados pelas leis do nosso País, vamos continuar lutando não só pelo nosso direito, mas especialmente pelo direito dos eleitores coarienses que fizeram as suas escolhas nas urnas”. “E temos a esperança que o plenário do TSE reconheça a legitimidade da nossa vitória no pleito de 2020, em Coari”, finalizou.

Próximos capítulos

O adversário de Adail Filho, Robson Tiradentes Jr. (PSC), frisou que aguarda os próximos capítulos das decisões no TSE. Segundo ele, a Corte tem um prazo de 30 dias para finalizar o processo legal.

https://opoder.ncnews.com.br/judiciario/tse-confirma-cassacao-de-adail-e-coari-tera-nova-eleicao/

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