Indígenas Mura realizaram uma manifestação em prol da exploração de potássio no município de Autazes. O ato ocorreu em frente à sede do Ministério Público Federal (MPF), situada no bairro Aleixo, zona centro-sul da cidade, na tarde desta quinta-feira (30).
Os manifestantes viajaram do interior até Manaus para promover o ato. Segundo lideranças indígenas presentes no local, existem 36 comunidades dos Mura em Autazes, e apenas seis delas são contra a extração de potássio na região.
Segundo as lideranças, membros de 30 das 36 aldeias indígenas de Autazes vieram para a capital para participar do protesto.
Impasse e suposto ‘ativismo’ judicial
Na última semana, surgiu uma denúncia que envolve o procurador Fernando Merloto Soave por suposta interferência no processo de concessão de licença para exploração mineral da empresa Potássio do Brasil em Autazes, revelada por áudios. No dia 16 deste mês, a Justiça Federal suspendeu o licenciamento ambiental da empresa, devido a alegações de irregularidades e riscos para o povo Mura.
As lideranças envolvidas na manifestação afirmam que a justiça vai contra a vontade da maioria dos indígenas.
O tuxaua Ediel Mura afirmou à equipe de reportagem, durante a manifestação, que a extração do minério levará progresso econômico à região. Ele disse, ainda, que os Mura opositores à atividade argumentam que não houve uma assembleia entre as aldeias para decidir sobre o tema.
“Alegam que muitas das aldeias não foram comunicadas. Estamos no processo há bastante tempo e fizemos sim o protocolo de consulta, fomos ouvidos pelos órgãos. Decidimos, esse ano, aderir ao empreendimento. Essas aldeias dizem que fomos cooptados pela empresa, que algumas lideranças receberam dinheiro para votar a favor. Nada disso é verdade. Que eles provem que seja verdade”, declarou.

Críticas a ONGs e clamor pelo potássio
Augusto Verás Mura afirmou que os manifestantes levaram pelo menos duas horas para se deslocar de Autazes à capital do Amazonas. O indígena criticou a atuação de Organizações não Governamentais (ONG) no município, dizendo que os recursos reunidos por elas não geram impacto nos moradores das aldeias indígenas.
“Estamos lutando pela nossa causa, buscando o melhor para nossas aldeias. Pensamos no futuro das nossas crianças Mura. Queremos que haja a aprovação do empreendimento em Autazes”, disse.
Fotos: Johnnata Reis
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