O economista Altamir Cordeiro recomendou aos amazonenses que realizem as compras de Natal por meio de pesquisa de preços e respeito ao orçamento familiar. Segundo ele e o economista Orígenes Martins, que conversaram com O Poder nesta sexta-feira (22), a previsão é que as festas natalinas aqueçam a economia no estado.
Martins recomenda que a população, à procura de preços mais acessíveis, busque realizar ceias natalinas com alimentos regionais.
“Uma bela caldeirada, um peixe assado. Precisamos nos acostumar a uma adaptação aos períodos que nós vivemos nessas datas sazionais. Nesse ano, quem quiser manter a tradição, vai ter que sacar mais dinheiro do bolso”, afirmou.
O economista declarou, também, que a região amazônica enfrenta problemas de logística que podem impactar nos preços dos produtos. Segundo ele, a dependência do transporte fluvial, somada à estiagem severa de 2023, geraram um final de ano com preços mais altos aos amazonenses.
“Os comerciantes que tinham estoque, comprado com bastante antecedência ou sobras do ano passado, conseguiram vantagem. A questão dos alimentos tem sido um calo no pé dos comerciantes e população”, disse.
Média brasileira
Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, o brasileiro deve desembolsar, em média, R$ 322 com preparativos da ceia e/ou do almoço de Natal.
Os números também mostraram que 99% dos entrevistados pretendem celebrar o Natal, sendo que 44% devem comemorar em casa, 18% na casa dos pais e 16% na casa de outros parentes.
A psicanalista Patrícia Alecrim afirmou ao Poder que não pretendia gastar dinheiro com os festejos natalinos, mas mudou de ideia. “Já vou gastar uns R$ 500,00 com comida para os preparativos de ceia e com presentes”, contou.
Impacto ecônomico
Cordeiro afirmou que o período natalino não impacta apenas o comércio, mas também diversos segmentos da economia. Elementos como período de férias, 13º salário e aumento de empregos temporários são fatores que alimentam o aumento de vendas de produtos e serviços.
“A economia amazonense aproveita bastante para fechar o ano com saldos positivos. A perspectiva da Confederação do Comércio é que haja, para todo o país, um aumento de mais de 4% nas vendas deste ano em relação ao de 2022”, disse.
Martins declarou que o aquecimento típico na economia durante o final de ano atinge tanto o setor comercial quanto industrial. Um dos mais afetados, na opinião do especialista, é o de alimentação.
“Esse ano, está se discutindo muito a questão da inflação, do preço da alimentação natalina em relação ao preço dos outros alimentos. Normalmente a ceia de natal é recheada com produtos tradicionais, como bacalhau, frutas nobres, que de ordinário já tem um preço aumentando significativamente”, afirmou.