No que marca um ponto de virada na era digital, o prefeito de Manaus, David Almeida, tornou-se a primeira vítima registrada de um ataque de deepfake contra um governante no Brasil. A manchete do Jornal O Globo deste domingo destaca o episódio que ocorre às vésperas de um processo eleitoral e revela uma nova modalidade de desinformação, dificilmente identificável. O ataque, baseado em Inteligência Artificial (IA), é objeto de investigação da Polícia Federal do Amazonas.
Foram citados três casos de fake news envolvendo políticos, com destaque ao prefeito da capital amazonense.
Em reportagem especial, o veículo de comunicação nacional destaca que a temporada de notícias falsas em ano eleitoral já começou, mas com uma modalidade de conteúdo ainda mais difícil de ser identificada.
Por intermédio de áudio contendo informações caluniosas, a deepfake contra David Almeida foi disparada virtualmente, em grupos de WhatsApp, no último mês de dezembro, com montagens e simulações de ataques aos profissionais da educação. O caso foi imediatamente denunciado pelo prefeito à PF, que conduz as investigações.
Em entrevista ao Jornal O Globo, David Almeida afirmou que não há anonimato na internet, destacando a responsabilização dos envolvidos na produção de fake news. Ele enfatizou que o áudio, classificado como falso, visa criar indisposição com os professores, categoria pela qual ele expressa grande respeito. O prefeito considera o caso uma tentativa de retaliação da oposição local em ano eleitoral.
“Esse caso é uma tentativa de retaliação da oposição na cidade e que visa o processo eleitoral deste ano. Não existe anonimato na internet e quem produz e distribui fake news pode ser responsabilizado. Esse caso deve servir de parâmetro para o restante do Brasil. O áudio é falso e tem o objetivo de criar indisposição com a categoria (dos professores), pela qual tenho muito respeito e admiração, em ano eleitoral”, afirmou David Almeida ao jornal O Globo.
A perícia inicial da Polícia Federal revelou que o áudio é uma montagem, possivelmente utilizando recursos de Inteligência Artificial, incluindo fragmentos de outros tipos de áudios. Desde o início das investigações, iniciadas em 22 de dezembro, suspeitos já foram ouvidos.
O superintendente da PF no Amazonas, Umberto Ramos, afirmou que a investigação visa identificar e punir todos os envolvidos no crime. A matéria do Jornal O Globo explora a técnica da deepfake, ressaltando como essa forma avançada de manipulação utiliza a IA para simular realisticamente tons, timbres e formas de falar. Este caso inédito serve como alerta para os desafios da desinformação digital em um cenário eleitoral complexo.