Deputado do PL é intimado por mudança racial, enquanto Flávio Dino não

Divergências na autodeclaração étnico-racial geram controvérsia entre deputados da oposição e ministro do STF.
Redação O Poder
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O deputado federal, André Fernandes (PL-CE), foi intimado nesta quarta-feira (30) pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura a suposta inserção de dados falsos no sistema da Justiça Eleitoral.

A ação foi aberta pelo fato do parlamentar ter se declarado como “pardo” nas eleições de 2018 e “branco” no pleito de 2022. O deputado deve ser ouvido pela PF entre os dias 19 e 23 de fevereiro.

Fernandes é vice-líder da oposição na Câmara e pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza (CE).

No entanto, o tratamento dado a Fernandes contrasta com a situação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. Dino também apresentou informações diferentes em sua autodeclaração étnico-racial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao longo de suas candidaturas. Em 2014, ele se declarou “branco” ao disputar o cargo de governador do Maranhão, enquanto em 2018, quando foi reeleito para o mesmo cargo, e em 2022, ao ser eleito senador, ele se declarou “pardo”. Curiosamente, até o momento, não houve repercussão ou investigação em relação às mudanças de autodeclaração étnico-racial de Dino, levantando questões sobre a consistência e imparcialidade das investigações em casos semelhantes.

Outros parlamentares de oposição foram alvo da PF em menos de um mês

Essa não é a primeira vez que membros da oposição são alvo de investigações da PF. No dia 18 de janeiro, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição na Câmara e pré-candidato à Prefeitura de Niterói (RJ), teve seu gabinete na sede da Câmara, em Brasília, alvo de mandados de busca e apreensão. A ação fazia parte da 24ª fase da Operação Lesa Pátria, que tinha como objetivo identificar responsáveis por atos de vandalismo ocorridos entre o fim de outubro de 2022 e janeiro de 2023.

Outro caso recente envolve o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), também pré-candidato à prefeitura, que foi alvo da PF no âmbito da Operação Vigilância Aproximada. A investigação visa desmantelar uma organização criminosa que teria se instalado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com o propósito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas. Ramagem, que foi diretor-geral da Abin durante o governo Bolsonaro, foi implicado na operação.

 

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