Manaus | AM | Agência Senado
Em pronunciamento nesta terça-feira (22), o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) lamentou que o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e outros seis senadores tenham se retirado da sala onde os médicos Ricardo Zimmermann e Francisco Alves defenderam o ‘tratamento precoce’ contra a Covid-19, apresentando, inclusive, “resultados clínicos”.
Segundo Girão, a “fuga” dos sete senadores ocorreu durante audiência na CPI da Pandemia, na última sexta-feira (18). Esse comportamento, na opinião dele, revela a ausência de espírito democrático e faz com que a população questione ainda mais a parcialidade da CPI.
“Muitos outros senadores, que não tinham participado da CPI até então, entraram, mesmo que de seus estados, remotamente, para fazer perguntas aos especialistas. Porque esse é o dever nosso: buscar a verdade, questionar, se é que a gente quer fazer um trabalho sério nessa CPI. Digo, pelo menos, o conjunto do trabalho, porque o comando, infelizmente, está cada vez mais desmoralizado. É isso o que a gente percebe no dia a dia.
O senador também lamentou que a CPI tenha rejeitado, na última quarta-feira (16), o requerimento dele para ouvir o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, sobre a compra de mais de 300 respiradores da empresa Hempcare. Segundo Girão, os equipamentos não foram entregues, apesar de Carlos Gabas ter assinado duas ordens de pagamento totalizando pouco mais de R$ 48 milhões.
“As transferências, feitas da Paraíba e de Sergipe, (de) verbas federais, fundo a fundo, segundo relatório da CGU, para o Consórcio Nordeste, desmontam a narrativa de que não é verba federal. E aqui, a nota fiscal de R$ 48 milhões dessa empresa. Essa blindagem explícita da corrupção não combina mais com o Brasil, que não tolera impunidade”.
No último fim de semana, o senador foi até São Paulo para conhecer a sede da Hempcare, que, segundo ele, é especializada na comercialização de produtos a base de maconha. Na opinião do senador, há fortes indícios de que seja uma empresa de fachada, porque, em 2019 e 2020, emitiu apenas duas notas fiscais, sendo que uma delas corresponde ao valor de aquisição dos respiradores pelo Consórcio Nordeste.