O contador João Muniz Leite admitiu ter trabalhado por aproximadamente cinco anos para um dos principais traficantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele revelou essas informações durante um depoimento à Polícia Civil de São Paulo, conforme reportado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 20 de fevereiro.
Muniz afirmou ter sido contador do filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, e ter prestado serviços também para o próprio presidente Lula. Durante o depoimento, admitiu ter ganhado 250 prêmios em jogos, totalizando cerca de R$ 20 milhões, sendo 55 desses prêmios somente em 2021. Ele declarou que usou parte desses ganhos para comprar propriedades, ajudar familiares e quitar dívidas, inclusive uma de R$ 6 milhões.
O contador afirmou que conhecia Anselmo Becheli Santa Fausta, apelidado de “Cara Preta”, um líder do PCC, sob o nome de Eduardo Camargo de Oliveira. Alegou ter auxiliado o traficante na compra de empresas e na lavagem de dinheiro do narcotráfico, embora tenha negado conhecimento das atividades criminosas de Fausta.
Cara Preta foi assassinado em dezembro de 2021, e em junho de 2022, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 45 milhões em bens de membros do PCC, incluindo Muniz, suspeito de usar dinheiro ilegal em apostas na loteria.
Apesar de ter prestado serviços para Lula e seu filho, o Palácio do Planalto afirmou que o presidente não tem laços com Muniz. Este último foi um colaborador próximo do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e trabalhou como contador para empresas associadas a Teixeira por 14 anos.
Muniz também foi ouvido como testemunha na Operação Lava Jato no caso do triplex do Guarujá, declarando ter feito a declaração de Imposto de Renda de Lula entre 2011 e 2015 no escritório de Teixeira.