Em fevereiro, o governo federal registrou um déficit recorde de R$ 48,7 bilhões nas contas públicas, um aumento significativo em relação ao déficit de R$ 26,5 bilhões em 2023. Esse aumento é atribuído principalmente aos pagamentos de precatórios, que totalizaram R$ 30,1 bilhões no mês passado.
O déficit sinaliza um aumento na necessidade de financiamento do setor público, o que pode ser feito através de tributação, emissão de dívida ou desvalorização da moeda. Todas essas opções acabam impactando a população, seja através de mais impostos, pagamento de juros da dívida ou inflação.
No início do ano, houve um superávit primário de R$ 53,5 bilhões nos dois primeiros meses, mas em 12 meses o déficit acumulado atingiu R$ 268,2 bilhões, representando 2,44% do PIB. Isso indica uma ineficiência do governo em cumprir suas metas de déficit.
Apesar de um superávit em janeiro, atribuído à taxação de offshores, o governo enfrenta dificuldades em aumentar a arrecadação de forma consistente devido a obstáculos legislativos.
A tentativa do governo de zerar o déficit busca acalmar o mercado financeiro, que fica preocupado com a capacidade do devedor (no caso, o governo) de cumprir seus compromissos à medida que a dívida pública aumenta. Em fevereiro, a dívida pública atingiu R$ 8,3 trilhões, representando 75,5% do PIB, o patamar mais alto desde junho de 2022.