MST: em 2024, invasões de terras aumentam 150% no Brasil

Número de invasões de terra pelo MST cresce 150% em 2024 no Brasil, desafiando os esforços do governo Lula para expandir a reforma agrária.
Redação O Poder
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O mês de “Abril Vermelho” foi encerrado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com um aumento notável nas ocupações de terras em comparação com o ano anterior. Segundo dados compilados por uma investigação do O Globo, o número de ocupações chegou a 35, um salto significativo de 150% em relação ao ano anterior.

Apesar das promessas do presidente Lula com o programa “Terra da Gente”, que visa assentar 295 mil famílias até 2026, o MST continua a pressionar por mudanças mais substanciais. Membro da direção nacional do movimento, Ceres Hadich, apontou a insuficiência dos esforços governamentais para a expansão da reforma agrária: “A retórica política não se traduz em ações concretas. Há uma lacuna entre as palavras e as ações, e isso nos mantém em pé de luta”.

Os desafios financeiros também são uma barreira. O governo, confrontado com limitações orçamentárias, justifica a lentidão das ações, afirmando que o programa de reforma agrária estava praticamente estagnado desde administrações anteriores. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) planeja destinar R$ 567 milhões para os sem-terra, um aumento substancial em comparação ao ano anterior, mas ainda insuficiente para atender às demandas urgentes.

A relação entre o MST e o governo tem sido tensa. O movimento expressou frustração com o ritmo das mudanças e recorreu a ações diretas, como a ocupação da sede do Incra em Maceió, para chamar a atenção para suas demandas.

A postura dos governadores também reflete as divisões políticas. Enquanto alguns, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, adotam uma abordagem de “tolerância zero” contra as ocupações, outros, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, demonstram apoio ao MST em suas lutas por justiça agrária.

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