‘Contador de Lulinha’ movimentou mais de R$ 525 milhões em dois anos, diz PF

Contador de Lulinha suspeito de movimentar mais de R$ 525 milhões em dois anos, segundo a Polícia Federal.
Redação O Poder
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O contador João Muniz Leite, sua esposa Aleksandra Silveira Andriani, e suas empresas associadas movimentaram R$ 525.778.863,00 entre 2020 e 2021, apesar de Muniz ter declarado um salário anual de apenas R$ 26 mil nesse período.

Muniz, conhecido como o ‘Contador de Lulinha’ por ter trabalhado para Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), também prestou serviços ao próprio ex-presidente Lula e foi testemunha durante a Operação Lava Jato no caso do triplex do Guarujá.

As informações constam em um inquérito da Polícia Federal (PF) ao qual o jornal O Estado de São Paulo teve acesso. O inquérito embasou o pedido do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para a emissão de mandados de busca contra Muniz durante a Operação Fim da Linha.

Operação Fim da Linha

Iniciada em 9 de abril, a Operação Fim da Linha visava desmantelar parte do sistema de transporte de São Paulo controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação mirou as diretorias das empresas de ônibus UPBus e Tranwolff, suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

Entre 11 de novembro de 2019 e 31 de julho de 2023, uma das empresas de Lulinha, a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital Ltda, esteve registrada no mesmo endereço do escritório de Muniz. A defesa de Lulinha afirma que as investigações sobre o contador nunca afetaram o filho do ex-presidente.

Ganhos na loteria e lavagem de dinheiro

A investigação revelou que Muniz Leite e sua esposa ganharam na loteria 640 vezes, incluindo prêmios na Lotofácil, Mega Sena e Quina. Só Aleksandra ganhou 462 vezes em menos de um ano, entre 18 de dezembro de 2020 e 25 de novembro de 2021.

O inquérito também sugere que Muniz teria ligações com outras empresas envolvidas em esquemas de lavagem de dinheiro que movimentaram, só em 2022, R$ 974,3 milhões. O Gaeco investiga ainda o envolvimento de Muniz com Sílvio Luiz Correia, conhecido como Cebola, um dos principais líderes do PCC.

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