A sessão do Conselho de Ética da Câmara que absolveu André Janones (Avante-MG) da suspeita de prática de “rachadinha” terminou em tumulto nesta quarta-feira (5).
André Janones partiu para cima do deputado federal Nikolas Ferreira, após o parlamentar do PL de Minas Gerais confrontá-lo.
Nikolas, sentado logo atrás de Janones, fez um longo discurso cara a cara com seu adversário. “Ele [Janones] é o maior divulgador de mentiras do Brasil e eu sou uma das vítimas; ele divulgou um ator pornô gay que disse que era eu durante a campanha”, afirmou.
Um grupo de deputados, incluindo Nikolas, cercou Janones na primeira fila da sessão. Janones respondeu, chamando os oposicionistas de “gado”. A troca de insultos escalou, e os dois ameaçaram se agredir fisicamente, resultando em empurra-empurra.
O Conselho de Ética aprovou o parecer do relator, deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), arquivando a representação contra Janones, com 12 votos a favor e 5 contra. Boulos justificou o arquivamento, alegando falta de “justa causa”, apesar das evidências contra Janones. Ele não estava presente durante a confusão que se seguiu à votação.
Tanto Boulos quanto Janones são aliados do presidente Lula (PT). Boulos é seu candidato à Prefeitura de São Paulo, enquanto Janones integrou a linha de frente de sua campanha eleitoral digital em 2022. A sessão atraiu um grande número de adeptos da direita, inclusive deputados que não integram o Conselho.
Os representantes da direita discursaram contra Janones e Boulos, frequentemente mencionando a pré-candidatura de Boulos em São Paulo. Entre os presentes estava o coach Pablo Marçal (PRTB), também pré-candidato à prefeitura paulistana. Marçal não é deputado, mas foi autorizado a participar da sessão pelo presidente do Conselho de Ética, Leur Lomanto (União Brasil-BA).
Marçal e Boulos chegaram a trocar insultos após Boulos afirmar que os bolsonaristas trouxeram um “coach picareta” para a sessão, sugerindo que Marçal poderia vender sua candidatura ao prefeito Ricardo Nunes (MDB).