Governo Lula salva negócio dos irmãos Batista às custas dos consumidores

Governo federal edita medida provisória para garantir viabilidade de negócio da Âmbar Energia, empresa dos irmãos Batista, às custas dos consumidores brasileiros.
Redação O Poder
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Três dias após a Âmbar Energia adquirir usinas da Eletrobras, o governo assinou uma norma que garantirá a viabilidade do negócio, transferindo o custo dessa decisão política para os consumidores, o que possivelmente já estava planejado antes da venda dos ativos.

O Ministério de Minas e Energia justificou a medida, de forma insatisfatória, alegando a necessidade de dar sustentabilidade à distribuidora de energia no Amazonas. O governo do presidente Lula (PT), por meio do Ministro Alexandre Silveira, editou uma medida provisória que beneficia a Âmbar, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que estão livres e tiveram suas multas bilionárias perdoadas pelo Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os mesmos empresários que, em delação premiada à Polícia Federal, confessaram ter transferido “40 milhões de dólares para a conta de Lula e 50 milhões de dólares para a conta de Dilma, por intermédio do Ministro Guido Mantega”.

A decisão vem em socorro da Amazonas Energia, garantindo os pagamentos que a empresa deve fazer às termelétricas recentemente adquiridas pela Âmbar. Os recursos necessários para esta operação serão financiados pelas contas de luz de todos os consumidores brasileiros por até 15 anos.

A Eletrobras anunciou ao mercado a venda de 13 usinas para a Âmbar por R$ 4,7 bilhões. Dessas termelétricas, com exceção da usina de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, as demais fornecem energia para a Amazonas Energia, a distribuidora de energia elétrica do Estado do Amazonas. No entanto, a distribuidora é deficitária e, desde novembro, não paga pela energia gerada por essas térmicas. Ao fazer a oferta, a Âmbar assumiu o risco de inadimplência desses contratos, que até então era de responsabilidade da Eletrobras, conforme informado em comunicado oficial ao mercado.

Apenas três dias após a venda, surgiu a “salvação”: o Diário Oficial da União publicou uma medida provisória para socorrer a Amazonas Energia, transferindo o pagamento pela energia das térmicas para contas gerenciadas pelo governo e financiadas pelas contas de luz de consumidores de todo o país por até 15 anos.

Embora o presidente Lula estivesse no Brasil, ele não assinou a medida, delegando a responsabilidade ao seu vice, Geraldo Alckmin, e ao ministro Alexandre Silveira. O governo encaminhou ao Congresso a exposição de motivos, justificando a edição das normas. Até a publicação, o texto não era conhecido. Os custos para os consumidores do resto do país, calculados por operadores do mercado de energia, variam de R$ 2 bilhões a R$ 2,7 bilhões por ano, podendo ultrapassar R$ 30 bilhões no total. Além das usinas, a Âmbar já manifestou interesse em adquirir a própria distribuidora Amazonas.

De acordo com a medida provisória, os contratos de fornecimento das térmicas com a Amazonas Energia passarão a ser pagos pela “Conta de Energia de Reserva”, gerida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Esta conta é financiada por todos os consumidores de energia elétrica, sejam do mercado regulado (pequenos consumidores), do mercado livre (grandes consumidores) ou autogeradores.

A medida do governo também prorroga por 120 dias flexibilizações que permitem à concessionária amazonense registrar perdas e problemas econômicos sem sofrer sanções. Na justificativa, o Ministro de Minas e Energia afirmou que, sem essas permissões, é improvável que, a curto prazo, a distribuidora alcance um nível de sustentabilidade econômico-financeira.

 

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