Presença do Diretor-Geral da Polícia Federal no “Gilmarpallooza” gera controvérsia

Presença do diretor-geral da Polícia Federal em evento organizado por fundação investigada gera controvérsia.
Redação O Poder
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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participou do Fórum Jurídico de Lisboa, popularmente apelidado de “Gilmarpalooza”, a convite da Fundação Getulio Vargas (FGV). A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 28, pela Folha de S.Paulo.

Em 2022, a própria Polícia Federal investigou a FGV por suspeitas de fraudes em licitações e corrupção de agentes públicos. No entanto, um dia após a operação que incluiu buscas nas sedes da FGV em São Paulo e no Rio de Janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes suspendeu a investigação e revogou as medidas cautelares.

O Fórum Jurídico de Lisboa é organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), fundado por Gilmar Mendes, em parceria com a FGV e a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

De acordo com a assessoria da Polícia Federal, Andrei Rodrigues foi convidado pela FGV, que custeou suas passagens e hospedagem. Ele também foi acompanhado por seguranças e recebeu diárias do governo federal. A Polícia Federal não se manifestou sobre a questão específica de uma fundação investigada ter financiado parte da viagem do diretor-geral. A FGV também se recusou a comentar o assunto.

Anteriormente, a assessoria do IDP afirmou que os organizadores do evento não estavam pagando despesas dos convidados. Contudo, quando procurado novamente nesta quinta-feira, 27, o IDP não respondeu. A declaração do IDP foi contradita por outros participantes do evento. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou que os custos de sua presença no fórum foram arcados pela FGV. Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), informou que sua viagem foi paga pelo IDP, com diárias custeadas pelo Senado.

Em nota à imprensa, o STF nega conflito de interesses decorrente da participação dos ministros no fórum de Gilmar.

“Ministros do Supremo conversam com advogados, indígenas, empresários rurais, estudantes, sindicatos, confederações patronais, entre outros. Muitos participam de eventos organizados por entidades representativas desses setores, inclusive órgãos de imprensa”, disse o STF, em nota.
“Quando um ministro aceita o convite para falar em um evento, ele compartilha conhecimento com o público. Por isso, não se pode considerar a participação do ministro no evento como um favor feito a ele pelo organizador. Não há conflito de interesses” declarou a Corte.
Ao menos 160 autoridades da Justiça, governos estaduais, gestão Lula e outros órgãos públicos foram autorizadas a participar do fórum. Dados dos portais da transparência indicam que os gastos públicos com 30 dessas autoridades já ultrapassam R$ 450 mil. Esse valor deve aumentar com confirmações depois do fim da viagem.

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