O primeiro debate presidencial entre Donald Trump e Kamala Harris ocorreu na noite desta terça-feira, 10 de setembro, na Filadélfia, Pensilvânia. O debate, que durou 1 hora e 40 minutos, abordou uma série de temas polêmicos e incluiu embates acalorados entre os candidatos.
O debate começou com uma discussão sobre economia. Kamala Harris destacou seu plano para criar uma “economia de oportunidades”, prometendo reduzir impostos para a classe média e acusou Trump de planejar grandes cortes de impostos para os ricos. Trump, por sua vez, criticou a alta inflação e apontou que o fluxo de imigrantes ilegais estava prejudicando a economia americana. Ele defendeu tarifas contra produtos estrangeiros, especialmente da China, e criticou a administração Biden por manter algumas das tarifas impostas durante seu governo.
No segundo bloco, o tema foi o aborto. Trump acusou o Partido Democrata de ser radical e defendeu o aborto apenas em casos de má-formação, estupro ou incesto, alegando que a decisão sobre o aborto deveria ser feita pelos estados. Harris, em contraste, afirmou que o governo não deve interferir nas decisões sobre o corpo das mulheres e defendeu a restauração do entendimento Roe vs. Wade, que havia sido revogado pela Suprema Corte.
A discussão sobre imigração levou a uma troca de acusações. Kamala Harris criticou Trump por usar o tema da imigração para estratégias eleitorais e afirmou que ele havia forçado republicanos a não aprovar legislação para reforçar a patrulha da fronteira. Trump defendeu seu governo dizendo que os ex-funcionários que apoiam Harris eram incompetentes e acusou o alto fluxo de imigrantes ilegais de transformar os EUA em uma “Venezuela com esteroides”. Ele também mencionou sua tentativa de assassinato em julho como exemplo de perseguição política.
Sobre o evento de 6 de janeiro de 2021, Trump continuou a contestar os resultados das eleições de 2020, culpando Nancy Pelosi pela invasão do Capitólio e alegando que imigrantes ilegais haviam votado nas eleições. Harris respondeu dizendo que Trump foi rejeitado pelos eleitores e que líderes mundiais zombam dele, destacando que os democratas respeitam a democracia.
No bloco de política externa, Harris abordou a necessidade de um cessar-fogo na Faixa de Gaza e expressou apoio a Israel, enquanto Trump afirmou que a guerra na Ucrânia não teria ocorrido se ele fosse presidente e criticou a diplomacia de Biden. Trump também chamou a saída americana do Afeganistão de um “momento vergonhoso”, enquanto Harris a defendeu e criticou Trump por ter convidado líderes do Talibã para negociações nos EUA.
No segmento final, Trump foi questionado sobre sua postura em relação à identidade racial de Harris. Ele disse não se importar com o tema, mas acusou Harris de ter passado a se identificar como afro-americana recentemente. Harris acusou Trump de tentar dividir o país por questões raciais.
Em suas considerações finais, Harris destacou sua visão de futuro, prometendo criar mais oportunidades e reduzir o custo de vida, enquanto Trump criticou a administração atual, descrevendo os EUA como uma “nação em declínio” e afirmando que a imigração ilegal estava destruindo o país.