Manaus | AM
Parece que não foi desta vez que o ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), conseguiu ‘faturar’ diante do asfalto que cedeu e provocou uma cratera no quilômetro 17 da BR-319, estrada que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), nesta segunda-feira (23). Isto porque, ao comentar o assunto em suas redes sociais, Arthur foi alvo de uma série de críticas por parte dos internautas.
Há anos o Amazonas sofre descaso em relação à BR-319, que é um direito dos amazonenses que vivem isolados do país por via terrestre. O trecho cedido hoje, entre Careiro da Várzea e Manaquiri, é só mais uma parte do problema. É hora de uma solução definitiva. #BR319já
— Arthur Virgílio (@Arthurvneto) August 23, 2021
Na tentativa de receber atenção e, claro, likes, o ex-prefeito escreveu: “Há anos o Amazonas sofre descaso em relação à BR-319, que é um direito dos amazonenses que vivem isolados do país por via terrestre. O trecho cedido hoje, entre Careiro da Várzea e Manaquiri, é só mais uma parte do problema. É hora de uma solução definitiva”.

Na página de Arthur, no Facebook, é possível acompanhar que sua opinião não foi muito bem recebida por seus seguidores. Um deles questinou: “Não esqueça que seu pai foi senador e o senhor foi senador. Agora, a pergunta que não quer calar: o que vocês fizeram?”.
Arthur Neto foi senador da República por 8 anos, de 2003 a 2011. Além disso, chegou a ser ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, de 14 de novembro de 2001 a 3 de abril de 2002, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC. Ambos são do mesmo partido político.

Em outro comentário é possível ler: “O cara tá com 50 anos na política e vem com uma dessa”. Arthur foi deputado federal pelo Amazonas de 1983 a 1987 e de 1995 a 2003. Além disso, foi prefeito de Manaus entre 1989 e 1993 e entre 2013 e 2020. A BR-319 foi criada em 1976, ou seja, em todos os seus mandatos a rodovia já existia.
Recentemente, mais precisamente em agosto deste ano, ele chegou a escrever um artigo batizado de ‘BR-319: Um direito do povo do Amazonas’. Nele, Arthur fala que “o que falta são compromissos sérios com política ambiental, com as mudanças climáticas, o que falta é respeito aos povos tradicionais indígenas, falta crença na ciência e nas possibilidades muitas de economia verde, a partir da biodiversidade, com as árvores em pé”.
E completa: “Falo com convicção, a BR-319 se tornaria até aliada, porque seria um grande incentivo ao Polo Industrial de Manaus, ao modelo econômico que por anos mantém a floresta amazônica amazonense preservada”. Porém, em momento algum ele diz como ‘lutou’ para que a rodovia tivesse melhorias e funcionasse perfeitamente.
Crítica
Outro político que se manifestou sobre o assunto, foi o senador da República, Eduardo Braga (MDB). Em sua publicação, ele diz que já solicitou providências “ao ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura e ao diretor-geral do Dnit”.
Braga foi por ministro de Minas e Energia, do governo Dilma Rousseff, de 2015 a 2016. Além disso, chegou a ser deputado estadual (1991-1993), vice-prefeito de Manaus (1993-1994), prefeito de Manaus (1994-1997), governador do Amazonas (2003-2010) e está senador da República 2011.