O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), foi reeleito nesse domingo (27) para mais quatro anos no comando da maior capital da Amazônia.
O mandatário do município teve 54,59% dos votos válidos contra 45,41% de Capitão Alberto Neto (PL).
A vitória, com mais de 100 mil votos de diferença, pode perfeitamente ser atribuída a três fatores: força da máquina, divisão da direita e alta abstenção no pleito.
Estratégia
E para que essa estratégia tenha obtido êxito nas urnas é preciso reconhecer os méritos do prefeito e seu grupo político durante a pré-campanha e campanha.
Máquina pública
Em que pese abuso de poder político seja crime eleitoral, é uma prática comum desde que a reeleição foi instituída no Brasil e aqueles que detém o comando da máquina pública se utilizam desse expediente para fisgar o eleitorado.
Entregas e compra de votos
E David fez isso com inaugurações de viadutos, do Parque Gigantes da Floresta, com o Passe-Livre Estudantil – entregas, que vale lembrar, receberam majoritariamente recursos do Governo do Estado que ele tanto criticou durante a campanha – e, também, comprando muito voto no dia do pleito.
Racha
Antes, no entanto, ainda no período de formação das chapas, o prefeito e seus aliados foram exitosos ao fomentarem um racha na direita manauara, que culminou na saída de Coronel Menezes do Partido Liberal (PL).
Lembrança
Nesse período, por volta de fevereiro deste ano, havia a possibilidade de uma chapa puro-sangue entre Alberto Neto e o militar da reserva do Exército, que em 2022 obteve mais de 500 mil votos para o Senado em Manaus.
Jogada
Ciente de que essa união seria um risco para seu projeto de reeleição, David passou a flertar com o PL, obteve aval do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, para se filiar à legenda, criou uma tensão interna que culminou na saída de Menezes, e no fim permaneceu no Avante com o apoio dos senadores lulistas Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), mas desarticulou o adversário.
Saída
Isso porque posteriormente Menezes se filiou ao PP e se tornou vice de Roberto Cidade (União Brasil) numa chapa de centro-direita, que claramente dividiu votos e atrapalhou a estratégia direitista, por exemplo, ter o apoio maciço das igrejas evangélicas.
Feriadão
Por fim, o prefeito deu ponto facultativo para o funcionalismo público na última sexta-feira (25) e nesta segunda-feira (28), fazendo o feriado do aniversário da cidade ter cinco dias.
Abstenção
Isso claramente ajudou na abstenção do pleito, que foi 23,39%, uma das maiores da história, superando a de quatro anos atrás quando a cidade vivenciava a pandemia da Covid-19. Ao total, 338.445 eleitores não compareceram às urnas.
Público alvo
É fato que não tem como mensurar como seria o voto desses faltantes, mas também é uma realidade que normalmente as classes mais altas – que são os que têm condições de viajar no feriado – tendem a votar nos candidatos direita.
Derrotas
O domingo também foi de derrotas para os candidatos do PL em Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO). A mais dolorida foi no Ceará, onde André Fernandes foi derrotado pelo petista Evandro Leitão por uma diferença de apenas 10 mil votos.
Vitória
A boa notícia ficou por conta das vitórias de Emília Corrêa (PL) em Aracaju (SE) e Abílio Brunini (PL) em Cuibá (MT).
Saldo positivo
Entre êxitos e derrotas, o PL teve um saldo positivo neste pleito. A sigla elegeu 517 prefeitos e 4.924 vereadores pelo Brasil. Em ambos os casos, as quantidades foram maiores que o pleito de 2020.
*Coluna SEM MIMIMI, Blog do Botelho