O Banco Central anunciou um novo leilão de reservas cambiais no valor de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 18,5 bilhões) nesta quinta-feira (26) em uma tentativa de conter a alta do dólar. A medida eleva o montante total usado pelo BC para mitigar a valorização da moeda norte-americana para US$ 30,76 bilhões (aproximadamente R$ 190 bilhões) nos últimos dez dias.
O aumento do dólar, acompanhado pela perspectiva de uma taxa de juros que pode atingir 14,25% em fevereiro, tem sido atribuído por especialistas ao desequilíbrio fiscal e à falta de sinalizações claras do governo petista (PT) quanto ao compromisso com a disciplina econômica. As informações são do site Diário do Poder.
O valor gasto pelo Banco Central em menos de duas semanas para estabilizar o câmbio equivale a duas vezes e meia os R$ 75 bilhões que o governo espera economizar em 15 anos com o pacote fiscal aprovado recentemente pelo Congresso. O pacote, apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem sido amplamente criticado como insuficiente e atrasado.
Além das pressões fiscais, declarações recentes de Lula e Haddad, feitas após a alta hospitalar do presidente, reacenderam preocupações no mercado. Ambos reiteraram críticas a investidores e ao “mercado”, acusando-os de contribuir para as dificuldades econômicas do governo. Para analistas, essas falas reforçaram a percepção de descompromisso com ajustes fiscais e aumentaram a volatilidade cambial.
A intervenção contínua do Banco Central, apesar de necessária para conter a instabilidade, levanta questionamentos sobre a sustentabilidade das reservas cambiais em um cenário de crescente desconfiança do mercado.
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