Eduardo Braga dá aval à volta do extintor obrigatório em veículos: a quem interessa?

Projeto de lei que reestabelece a obrigatoriedade de extintores em carros gera debate sobre a real necessidade do equipamento nos veículos modernos.
Redação O Poder
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A obrigatoriedade do extintor de incêndio em automóveis, que foi extinta no Brasil em 2015, pode estar prestes a voltar. Um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Moses Rodrigues (Cidadania-CE) e que teve parecer favorável do senador Eduardo Braga (MDB-AM) avançou no Senado e segue para votação no plenário, reacendendo o debate sobre a real necessidade do equipamento nos veículos modernos.

A obrigatoriedade do extintor vigorou no Brasil por 45 anos, entre 1970 e 2015, período em que os automóveis apresentavam maior risco de incêndio devido à presença de carburadores e distribuidores. Com a evolução dos sistemas eletrônicos, esses componentes foram substituídos, reduzindo significativamente as ocorrências de incêndios em veículos de passeio.

O jornalista e engenheiro automotivo Boris Feldman criticou duramente a proposta, classificando-a como um retrocesso e sugerindo que a medida atende a interesses comerciais. “No mundo inteiro, o extintor já foi eliminado. Ele só era importante quando os carros tinham carburador e distribuidor. Além disso, o motorista, na maioria dos casos, não sabe onde está o extintor, não sabe como usá-lo corretamente e, mesmo que saiba, a capacidade do equipamento raramente é suficiente para conter um incêndio”, argumentou.

Os dados também apontam para a ineficácia da medida. Em 2000, de um total de 2 milhões de sinistros cobertos por seguradoras, apenas 800 envolveram incêndios. Desses, em apenas 24 casos o extintor foi utilizado, sugerindo que sua presença nos veículos teria impacto praticamente nulo na segurança dos condutores.

Eduardo Braga, que relatou a proposta na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, é alvo de questionamentos sobre sua motivação para apoiar o projeto. Críticos apontam que a obrigatoriedade do extintor pode movimentar bilhões de reais no mercado, beneficiando diretamente fabricantes do equipamento. Considerando que o Brasil possui cerca de 40 milhões de automóveis, um custo estimado de R$ 100 por extintor resultaria em um impacto financeiro significativo para os consumidores.

O projeto segue agora para votação no plenário do Senado. Caso seja aprovado, os motoristas brasileiros poderão ser obrigados a voltar a adquirir o equipamento, reabrindo uma discussão encerrada há uma década e gerando questionamentos sobre a real necessidade da medida.

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